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Gazeta Itapirense

Kits bucais superfaturados ficam parados, cremes dentais vencem e Prefeitura recolhe das creches

A gestão dos materiais de higiene bucal adquiridos pela Prefeitura de Itapira voltou ao centro do debate público após a confirmação de que os kits distribuídos nas creches municipais foram recolhidos com unidades de creme dental vencidas e outras próximas da data de validade.

O recolhimento das unidades escolares foi constatado após diligência do vereador Tiago Fontolan na Secretaria Municipal de Educação, onde esteve reunido com a titular da pasta, Regina de Santana Lago Gracini.

O caso adiciona um novo desdobramento ao escândalo revelado em setembro de 2025 pela Gazeta, referente ao superfaturamento na aquisição dos materiais junto à Editora Camano Sá.

Na ocasião, a reportagem apurou que o contrato licitatório de R$ 1,98 milhão envolveu a compra de kits por praticamente o dobro do valor praticado pela própria fornecedora em seu site oficial.

Listagem mostra itens que foram recolhidos das creches

Inação e desperdício de material

Durante a visita à Secretaria de Educação, foi confirmado ao parlamentar que os materiais estavam sendo retirados das creches municipais. A justificativa apresentada pela secretária foi a existência de tratativas, em andamento desde o início do ano, para que as ações e orientações práticas de higiene bucal fossem conduzidas nas escolas por equipes da Secretaria Municipal de Saúde, órgão responsável pela gestão e distribuição dos itens.

As atividades com os profissionais de saúde, porém, não ocorreram na forma planejada. Como consequência da falta de execução do cronograma, os materiais permaneceram armazenados nas unidades escolares até perderem a validade ou chegarem perto do limite de uso. Diante do quadro, a Administração Municipal optou por recolher os kits.

 

Documento oficial lista montante devolvido

Um documento oficial de Remessa de Devolução dos Kits de Higiene Bucal da Secretaria Municipal de Educação apresentado ao vereador Tiago Fontolan detalha o expressivo volume de material recolhido das creches:

No Centro de Educação Infantil BenedictoÉ zio Levatti, foram devolvidos 79 kits de higiene bucal e 105 kits de livros.

No CEI Maria Lici Rodrigues, a devolução somou 12 kits de higiene bucal, cada um contendo uma escova de dentes e dois livros.

No CEI Josepha Eliseu da Silva, a contagem registrou 80 kits de higiene bucal Freedent, 80 kits de livros e 16 kits Oral-B.

No CEI Doroty Cassimiro de Lima, foram recolhidos 52 kits de higiene bucal, composto cada um por creme dental, escova, fio dental e caixa com 21 livros infantis.

No CEI Sebastião Olbi Neto, retornaram 119 kits de livros da coleção Liz, 116 unidades de creme dental Free Dents Kids, três unidades de creme dental Oral-B, 119 escovas e 119 fios dentais.

No CEI Wilma Amâncio Camargo Mituzaki, a lista inclui 73 kits de livros Liz, 73 cremes dentais Free Dent Kids, 73 escovas e 73 fios dentais.

No CEI Hélio Pegorari, foram devolvidos 85 kits de livros contendo os títulos Liz Meu Sorriso Feliz e Lara e a Chupeta, 85 cremes dentais Free Dent Kids, 85 escovas infantis e 85 fios dentais de 25 metros. A mesma unidade registrou ainda a devolução de 11 kits dos livros Liz o Dentinho Feliz e Lara e a Chupeta, acompanhados de 11 cremes dentais infantis Oral-B e 11 fios dentais.

Requerimento cobra apuração e aponta prejuízo financeiro

Diante dos fatos, Tiago Fontolan protocolou um requerimento na Câmara Municipal direcionado à Secretaria Municipal de Saúde, exigindo justificativas formais sobre o motivo do descumprimento do cronograma de orientações de higiene bucal nas escolas.

O pedido do parlamentar busca esclarecer quais medidas serão tomadas em relação aos materiais recolhidos que já perderam a validade ou estão prestes a vencer, além de cobrar o levantamento exato do prejuízo financeiro gerado aos cofres públicos pelo descarte iminente de itens comprados com dinheiro público.

 

Histórico do superfaturamento

A deterioração dos cremes dentais nas prateleiras das creches reacende o desdobramento da licitação de R$ 1,98 milhão firmada com a Editora Camano Sá. A denúncia da Gazeta, trazida a público em setembro de 2025, mostrou que a prefeitura pagou por kit um valor correspondente a quase o dobro do valor de mercado oferecido publicamente na plataforma digital da própria empresa fornecedora.

O caso, que já vinha recebendo questionamentos quanto aos valores e à qualidade dos impressos, passa agora a ser alvo de novas cobranças sobre a gestão do estoque e o uso das verbas públicas