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Gazeta Itapirense

Aos 14 anos, Miguel enfrenta diabetes tipo 1 e mobiliza solidariedade em Itapira

Uma sequência de sintomas que começou com uma simples dor de barriga terminou com o diagnóstico de diabetes tipo 1 e uma mudança completa na rotina de Miguel Santos Ferreira, hoje com 14 anos. A história do adolescente e as dificuldades enfrentadas pela família para manter o tratamento vêm mobilizando moradores de Itapira.

A descoberta da doença aconteceu depois de dias de vômitos, febre, dor abdominal e uma perda significativa de peso. Segundo o relato da mãe, os primeiros sintomas começaram na noite de 20 de junho de 2024.

“Na noite do dia 20 de junho de 2024, ele começou a se queixar de dores de barriga. Fiz uma leve massagem e ele disse que melhorou”, contou a mãe, Edicleia Aparecida Santos Ferreira.

No dia seguinte, Miguel acordou apresentando vômitos. A família procurou atendimento médico e, naquele momento, recebeu a orientação de que poderia se tratar de uma virose. Ele foi levado para casa com a recomendação de tratamento com soro e medicamento para controlar os vômitos.

No sábado, porém, o quadro permaneceu. Miguel continuava com vômitos, dor abdominal e febre. A mãe passou a administrar dipirona e continuou com o medicamento indicado anteriormente.

No domingo, diante da piora, a família voltou a procurar atendimento. Conforme o relato da mãe, os profissionais identificaram um quadro de desidratação. Naquele momento, Miguel já havia perdido cerca de 10 quilos em apenas quatro dias. Ele recebeu aproximadamente um litro de soro e foi novamente encaminhado para casa.

Miguel e sua família precisam muito da ajuda da população (Divulgação)

A situação, entretanto, continuou piorando.

Na segunda-feira, a família voltou ao atendimento médico. Como o local estava lotado, a mãe foi informada de que o adolescente poderia ser atendido somente por volta das 2h da madrugada. Eram aproximadamente 19h naquele momento.

A família retornou no horário informado. Foi então que Miguel passou novamente pelo médico que já havia atendido o adolescente no sábado.

“Ele já estava amuado, sem forças, com os olhos bem fundos e muito magro. Achei que fosse perdê-lo”, relembrou a mãe.

Durante a consulta, o próprio Miguel perguntou ao médico se havia algum exame que pudesse ser realizado, pois já não suportava mais os sintomas. A partir daí, foram solicitados exames de sangue e urina.

Foi durante a coleta de sangue que uma enfermeira percebeu algo que ajudou a mudar o rumo do atendimento. Segundo a mãe, a profissional identificou um forte cheiro de acetona no hálito do adolescente e levantou a possibilidade de diabetes.

Novos exames foram solicitados e confirmaram o diagnóstico. Miguel estava em estado de cetoacidose diabética, uma complicação grave que pode ocorrer quando há deficiência importante de insulina.

O adolescente permaneceu internado por cinco dias. Segundo a família, apesar da gravidade do quadro, ele não precisou ser encaminhado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Após o diagnóstico, veio uma nova realidade para Miguel e para toda a família.

Aos 11 anos, quando recebeu o diagnóstico, o adolescente precisou mudar hábitos e aprender a conviver com uma doença que exige acompanhamento constante. A mãe conta que, apesar de ele já ter uma alimentação considerada saudável, foi necessário adotar novas restrições e cuidados.

“Não é fácil uma criança sair de uma rotina e encarar algo totalmente diferente, com uma alimentação mais restrita. Foi difícil no começo e ainda é um pouco”, relatou.

Miguel faz uso de insulina quatro vezes ao dia. Atualmente, segundo a mãe, a família conseguiu obter a insulina pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que representa um importante auxílio no tratamento.

Outra necessidade, porém, continua sendo motivo de preocupação: o sensor Libre, utilizado para monitorar a glicemia.

Segundo a família, cada sensor custa aproximadamente R$ 300 e tem duração de cerca de 15 dias. O equipamento permite acompanhar os níveis de glicose de maneira mais prática, reduzindo a necessidade de várias medições com a tradicional picada no dedo.

O sensor, entretanto, não é fornecido regularmente pelo SUS à família, que também enfrenta dificuldades para custear exames e outros procedimentos necessários ao acompanhamento da doença.

“Com o Libre fica mais fácil verificar a glicemia do que ficar furando o dedinho”, explica a mãe.

Além do sensor, existem exames que precisam ser realizados de forma particular, segundo a família, incluindo avaliações relacionadas à visão, como exames de retina e fundo de olho.

Miguel também realiza acompanhamento na Unicamp, referência na área da saúde, o que representa uma importante estrutura para o tratamento, mas também impõe à família uma série de desafios para manter todos os cuidados necessários.

A família vive em Itapira há pouco tempo e, antes disso, morava em São Paulo.

Na busca por apoio, ela procurou pessoas conhecidas e acabou encontrando ajuda para conseguir atendimento com endocrinologista. A família também recebeu o acompanhamento de uma especialista que avaliou Miguel e explicou à mãe os cuidados necessários diante do diagnóstico de diabetes tipo 1.

Com os custos do tratamento se acumulando, a família decidiu organizar uma rifa solidária para arrecadar dinheiro destinado aos exames e à compra dos sensores.

A iniciativa rapidamente ganhou repercussão entre moradores de Itapira. Os números da primeira rifa foram vendidos integralmente, em uma demonstração de solidariedade que surpreendeu a família.

A mãe fez questão de agradecer a todos que participaram, compraram números, compartilharam a campanha ou simplesmente demonstraram interesse em ajudar.

“Venho agradecer, de coração, a todos que colaboraram com a primeira rifa em prol dos cuidados do Miguel. Muitas pessoas nos ajudaram, participaram e compartilharam, e ficamos imensamente felizes com todo esse carinho. E, para nossa surpresa, várias pessoas que não conseguiram participar também nos procuraram querendo ajudar”, afirmou.

A família, porém, reforça que o encerramento da primeira rifa não significa o fim da necessidade de apoio.

Os gastos relacionados ao tratamento da diabetes tipo 1 são contínuos. Além dos medicamentos, há despesas com sensores, exames e outros cuidados que fazem parte da rotina do adolescente.

Por isso, uma nova rifa solidária está sendo preparada. A família já recebeu alguns brindes para compor os prêmios e pretende conseguir outros itens para realizar uma nova campanha.

A mãe explica que a intenção é continuar arrecadando recursos para garantir os cuidados necessários a Miguel.

“A todos que estão fazendo parte dessa corrente de carinho e solidariedade, o nosso muito obrigada. Que Deus abençoe cada pessoa que tem nos ajudado e também aqueles que, mesmo sem poder contribuir financeiramente, ajudam compartilhando”, agradeceu.

A família ressalta que toda forma de apoio é importante. Quem puder contribuir financeiramente poderá participar das próximas ações que serão divulgadas para arrecadação de recursos destinados ao tratamento. Para quem não tiver condições de ajudar financeiramente, o simples compartilhamento das campanhas também pode colaborar para que a história de Miguel chegue a mais pessoas.

Aos 14 anos, Miguel segue sua rotina de tratamento e adaptação à diabetes tipo 1. Para a família, a solidariedade que surgiu em torno de sua história representa não apenas uma ajuda financeira, mas também uma demonstração de que o adolescente não está enfrentando essa nova realidade sozinho.

Quem puder ajudar de alguma forma a batalha diária do jovem Miguel, é só entrar em contato com sua mãe no fone: (11) 9.8891-4401

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