Golpe da ‘panela de pressão’: mulher recebe ‘presente’ e perde todo o dinheiro da poupança
Uma moradora de Itapira foi vítima de um golpe que começou com uma suposta entrega do Mercado Livre e terminou com a retirada de todo o dinheiro que ela mantinha em uma conta poupança, além de compras realizadas sem autorização em seus cartões.
Em entrevista para a Gazeta, a vítima contou que o caso começou na última semana, quando um homem apareceu para fazer uma suposta entrega. Segundo ela, a abordagem ocorreu inicialmente por telefone, após o golpista entrar em contato com a filha dela e afirmar que havia uma encomenda que só poderia ser entregue pessoalmente à moradora.
Na ocasião, a vítima estava outro local, fazendo uma massagem. O homem pediu que ela fornecesse o endereço para onde deveria levar a encomenda. Mesmo depois de ela indicar que poderia deixar o pacote com outra pessoa, o suposto entregador insistiu que a entrega deveria ser feita exclusivamente para ela.
“Ele falou: ‘tem que ser você, o Mercado Livre não autoriza entregar para outra pessoa’”, relatou a vítima.
O homem então entregou uma pequena embalagem. Como a moradora aguardava uma mercadoria e costuma realizar compras pela internet, inicialmente não desconfiou da situação.
Segundo ela, o golpista ainda pediu uma confirmação da entrega. Foi nesse momento que, de maneira rápida, aproximou o celular do rosto da vítima.
“Ele passou o celular no meu rosto. No que ele passou, com certeza ele pegou a minha facial. Foi muito rápido”, contou.
A vítima não percebeu naquele momento que poderia estar sendo alvo de um golpe. Ela também não conseguiu identificar com certeza o veículo utilizado pelo homem. A filha, porém, teria visto que ele estava de moto.
Ao abrir a embalagem, a moradora encontrou uma panela de pressão, produto que afirma não ter comprado. No pacote havia informações relacionadas ao Mercado Livre e a indicação de “bonificação”, o que fez com que ela e a família inicialmente acreditassem que pudesse se tratar de algum tipo de brinde ou entrega enviada por engano.
A descoberta do golpe ocorreu dois dias depois.
No domingo, enquanto utilizava o aplicativo bancário, a vítima percebeu movimentações que não reconhecia. Segundo ela, os criminosos começaram a retirar valores da conta poupança e realizar diversas operações até consumir praticamente todo o saldo.
“Eu tinha R$ 4 mil na poupança. Começaram a fazer vários PIX, gastaram praticamente todo o dinheiro da poupança”, afirmou.
Assim que percebeu as movimentações, ela bloqueou a conta e procurou o banco. No entanto, de acordo com o relato, as ações fraudulentas continuaram.
Na segunda-feira, a vítima constatou que também estavam sendo realizadas compras com seus cartões, tanto em operações pela internet quanto em estabelecimentos físicos.
Ela afirma ter aberto três contestações junto ao banco e solicitado o bloqueio e o cancelamento dos cartões. Mesmo assim, segundo seu relato, novas compras continuaram sendo registradas.
Entre as transações que ela não reconhece estão compras em pet shops, loja de conveniência, aquisição de celular e bebidas, além de compras parceladas.
A moradora afirma que buscou o banco para tentar recuperar os valores, mas recebeu a informação de que não haveria ressarcimento por se tratar de um golpe. Ela também relata que possui seguro relacionado ao cartão, mas que a abertura de um sinistro teria sido negada sob a justificativa de que a cobertura seria destinada a casos de perda ou roubo do cartão.
Diante da situação, a vítima afirma que procurou um advogado para tentar recuperar os prejuízos.
O caso chamou a atenção principalmente pela forma utilizada pelos criminosos. A vítima acredita que a captura de sua imagem facial durante a falsa entrega pode ter sido utilizada para possibilitar o acesso a dados ou serviços financeiros.
“Como eles tiveram acesso à minha conta, aos meus dados, à minha facial, a tudo da minha conta, eu não sei”, afirmou.
Alerta
Após passar pela situação, a moradora faz um alerta para que outras pessoas tenham cuidado com supostas entregas e abordagens semelhantes.
Ela recomenda que moradores não entreguem o celular a desconhecidos e não permitam que terceiros utilizem o aparelho ou realizem procedimentos de reconhecimento facial.
“Não receber ninguém, não deixar pegar o celular, passar facial. Se aparecer em casa, o máximo que pode fazer é chamar a polícia, tirar uma foto, alguma coisa, porque é golpe”, orientou.
A recomendação é que, diante de qualquer entrega inesperada ou abordagem envolvendo confirmação de identidade, o consumidor interrompa o procedimento e confirme a informação diretamente pelos canais oficiais da empresa responsável pela compra ou pela entrega.
Também é importante evitar clicar em links enviados por desconhecidos, fornecer senhas ou códigos de autenticação e permitir que terceiros manuseiem o celular ou realizem procedimentos de reconhecimento facial.
No caso da moradora de Itapira, a fraude começou com uma abordagem aparentemente simples e só foi percebida quando as movimentações financeiras já haviam ocorrido.





