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Gazeta Itapirense

Encontro sobre São Benedito marca início do registro da Festa de Maio

Itapira foi palco, no sábado, 15, do 1° Encontro Internacional “Entre a Sicília e o Brasil – São Benedito de Palermo: fé, cultura e devoção entre São Paulo, Amazônia, Itália e América Latina”. Organizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, o evento reuniu cinco especialistas do Brasil, da Itália e do México para debater a difusão da religiosidade em torno de São Benedito de Palermo pelo mundo e sua conexão com a Festa de Maio de Itapira, uma das manifestações mais tradicionais e expressivas dedicadas ao santo no país.

O encontro também marcou oficialmente o início do processo de registro da Festa de Maio como Patrimônio Histórico, Religioso e Cultural, reconhecimento que reforça a importância da celebração para a memória coletiva e para a formação histórica do município.

Sediado no Anfiteatro do Bairral, o encontro teve início pela manhã com apresentações da Banda Sinfônica Lira Itapirense e da Congada Mineira de Itapira. Em seguida, o prefeito Toninho Bellini formalizou a abertura dos trabalhos. “Esse evento marca o início de um trabalho que vamos conduzir com muita responsabilidade: o estudo e a construção do processo de reconhecimento da Festa de Maio como Patrimônio Cultural Imaterial de Itapira. Preservar nosso patrimônio não é apenas guardar o passado, mas reconhecer a história viva que continua sendo construída todos os anos pela nossa comunidade. E é também valorizar as pessoas que mantêm essa tradição e garantir que ela continue existindo pelas próximas gerações”.

Antes do início das palestras, as autoridades e os cinco historiadores presentes assinaram o termo oficial de abertura das pesquisas para o futuro dossiê sobre a Festa de Maio de Itapira. O documento formaliza o apoio institucional da Prefeitura às pesquisas destinadas à identificação, documentação e compreensão da festa enquanto referência religiosa e cultural para o município.

O ciclo acadêmico foi aberto por Giovanna Fiume, da Itália, que participou de forma online devido ao cancelamento de seu voo por questões climáticas. A pesquisadora apresentou a história de São Benedito com base em estudos dos processos originais de beatificação e canonização do santo, incluindo relatos históricos e até um retrato pintado por uma sobrinha de Benedito.

Na sequência, o presidente do Conselho do Patrimônio Histórico e responsável pelo processo do dossiê, o historiador Eric Apolinário, falou sobre as origens da Irmandade de São Benedito de Itapira e sua ligação com a Società Italiana di Mutuo Soccorso Fratellanza e Lavoro, destacando a importância da festa em âmbito nacional e internacional, não apenas em seu aspecto devocional e litúrgico, mas também cultural. No período da tarde, o evento prosseguiu com quatro palestras. Rafael Castañeda García, do México, apresentou pesquisas sobre as irmandades negras e as devoções vinculadas a São Benedito de Palermo no México colonial. Frei Alvaci Mendes da Luz abordou as irmandades negras, a religiosidade afro-católica e a influência franciscana na formação cultural brasileira e na devoção a São Benedito. Aldrin Moura de Figueiredo trouxe suas pesquisas sobre a devoção ao santo na cidade de Alenquer, no Baixo Amazonas, e no Quilombo do Pacoval. Por fim, Sônia Cristina de Albuquerque Vieira apresentou resultados de mais de duas décadas de pesquisas sobre festas religiosas, identidades culturais, catolicismo popular e religiosidades afro-amazônicas. Ao final das explanações, houve espaço para esclarecimentos de algumas dúvidas do público presente.

O secretário de Cultura e Turismo, Ramon Vilela Sartorelli, destacou a importância do evento para a cultura e para a preservação da história de Itapira. “Costumo dizer que antes de preservar, precisamos conhecer. E esse evento nos permitiu justamente isso: conhecer ainda mais a dimensão da nossa própria tradição”, afirmou. Ele também falou do compromisso da secretaria com o processo de registro da Festa de Maio como Patrimônio Histórico. “Estamos falando de uma manifestação que atravessou gerações e que permanece viva por meio da fé, das Congadas, da atuação histórica da Irmandade de São Benedito, das famílias, dos festeiros e de tantas pessoas que ajudaram a construir e preservar essa tradição. Agora nosso compromisso é dar continuidade a esse trabalho, para que a memória da festa seja pesquisada, documentada, valorizada e transmitida às próximas gerações”, concluiu.

O encontro também terá um desdobramento importante: todos os pesquisadores participantes contribuirão para a publicação de um livro que será lançado em maio de 2026. A obra será o registro acadêmico do encontro e se tornará também um documento relevante dentro do dossiê ao final do processo de patrimonialização da Festa de Maio de Itapira.