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Gazeta Itapirense

Tempo seco: pneumologista alerta para riscos à saúde e orienta população

Com a umidade relativa do ar chegando baixa e o tempo seco, os cuidados com a saúde respiratória precisam ser redobrados. O cenário de tempo extremamente seco, somado à ocorrência de queimadas na zona rural, aumenta os riscos principalmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas.

Em entrevista à Gazeta, o pneumologista Dr. Claudio Leal, do Hospital São Francisco de Mogi Guaçu, explica os principais impactos do ar seco e da fumaça sobre o organismo, alerta para os sintomas que exigem atenção e orienta a população sobre medidas simples para reduzir os riscos durante o período de baixa umidade.

Dias atrás Itapira registrou umidade relativa do ar de apenas 18,7% , a menor do Estado de São Paulo. Quais são os principais riscos que esse índice representa para a saúde da população?

Os principais riscos da baixa umidade relativa do ar são, especialmente, a desidratação rápida do organismo; ressecamento severo das vias aéreas (nariz, laringe, traqueia e brônquios); agravamento de crises de asma empacientes que já sofrem dessa doença pulmonar crônica, assim como bronquite; irritação intensa nos olhos; ardência constante na garganta; sangramento nasal espontâneo. Dores de cabeça frequentes e até um maior risco de infartos.

A cidade de Itapira está situada em uma região em que são frequentes as ocorrências de queimadas, o que aumenta a preocupação.

Quais grupos são mais vulneráveis aos efeitos da baixa umidade do ar e quais sintomas devem servir de alerta para a procura de atendimento médico?

Os grupos mais vulneráveis são crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas, principalmente doenças de pulmão e coração, trabalhadores rurais e outros que estão expostos diretamente à fumaça das queimadas e devido ao esforço físico sob clima seco.

Os sintomas de alerta são  falta de ar ou dificuldade intensa para respirar, chiado no peito de forma contínua, tosse seca e persistente, que pode afetar o sono. Além disso, a tosse seca persistente pode causar vômitos.

Merece atenção a febre associada a catarro amarelo ou esverdeado; tontura intensa; confusão mental ou sinais claros de desidratação, que podem levar a uma ausência de diurese (ausência de de urina. A pessoa fica muito tempo sem urinar ou a urina fica muito escura). E também o sangramento nasal frequente que não para de forma espontânea.

Além do tempo seco, Itapira também enfrenta queimadas na zona rural. Como a combinação entre baixa umidade e fumaça pode afetar o sistema respiratório, principalmente de crianças, idosos e pessoas com doenças como asma e bronquite?

Principalmente pelo ressecamento das mucosas, pois as vias aéreas perdem umidade natural. Os cílios respiratórios, que são organismos que existem na traqueia e nos brônquios, servem como filtros. Com o ressecamento, começa a haver falha na filtragem, os brônquios não conseguem reter as

impurezas e uma inalação profunda leva partículas finas diretamente aos pulmões. São poluentes que irritam as vias aéreas hipersensíveis causando inflamação severa. Os brônquios sofrem estreitamento e provocam chiado.

Quais medidas simples a população pode adotar dentro de casa e na rotina diária para reduzir os impactos da baixa umidade e proteger a saúde respiratória durante este período?

Tomar água constantemente; umidificar os ambientes, usar toalhas úmidas nas janelas, na beira da cama, ou mesmo utilizar aparelhos umidificadores.  Vedar a casa, mantendo portas e janelas bem fechadas; lavar as narinas várias vezes ao dia com soro fisiológico, que pode ser obtido gratuitamente nos postos de saúde. Evitar a prática de exercícios físicos ao ar livre, principalmente por causa da fumaça. Usar máscara de proteção se estiver em contato com a fumaça. Na limpeza, evite usar espanadores de pó e produtos químicos com cheiros fortes. Lave cobertores para eliminar os ácaros antes de usá-los.

Em que situações os sintomas provocados pelo ar seco deixam de ser um simples desconforto e passam a indicar a necessidade de procurar um médico ou um serviço de emergência?

Os principais sintomas são a dificuldade para respirar de forma aguda, falta de ar intensa mesmo em repouso com incapacidade de falar frases inteiras sem ter que parar para respirar ou piora rápida que não passa mesmo quando usa medicamentos que a pessoa está habituada.

Sinais de esforço respiratório: uso de musculatura intercostal, levante a roupa e observe se as costelas e a barriga afundam ao respirar (isso é esforço respiratório). Observe também o batimento das asas do nariz, as narinas se abrem demais e se movimentam rapidamente. Ou ainda chiado intenso no peito.

Alteração na coloração da pele (cianose), nos lábios, na língua ou nas pontas dos dedos, que ficam arroxeadas ou azuladas pela falta de oxigênio. Dor ou aperto no peito. Esses são sinais que indicam a necessidade de procurar atendimento médico com urgência.

Dr Claudio Leal – Pneumologista do Hospital São Francisco de Mogi Guaçu: Graduado em Medicina pela FAMERP (SP). Residência em Cirurgia Geral, Cirurgia Torácica e Acupuntura. Atuou como médico pneumologista e cirurgião torácico no Hospital Stella Maris (Guarulhos- SP) e São Camilo (São Paulo). Atualmente, atende no Hospital 22 de Outubro de Mogi Mirim e Hospital São Francisco de Mogi Guaçu.