Protesto com máquina de lavar e baldes na calçada escancara drama da falta de água
Moradores da Rua Lindóia, no trecho que fica após a SP-147, aproveitaram a movimentação provocada pelo lançamento da candidatura do deputado Totonho Munhoz à reeleição, realizado neste domingo, 16, no espaço de eventos Pallazzo Vecchio, para chamar a atenção para um problema que, segundo eles, se arrasta há mais de três anos: a falta e a baixa pressão no abastecimento de água na região.
De forma ordeira, moradores colocaram vários baldes e até uma máquina de lavar roupa na calçada. Em cada objeto, cartazes expunham a reclamação e cobravam providências para solucionar o problema no abastecimento.
A manifestação transformou a própria calçada em uma espécie de retrato da rotina enfrentada por quem vive no local. Os objetos utilizados no protesto simbolizavam situações comuns para as famílias: torneiras sem água, dificuldade para lavar roupas e a necessidade de armazenar água para garantir o mínimo necessário dentro de casa.

Segundo uma das moradoras, o problema teria se agravado desde a instalação de uma bomba conhecida como “Bomba Sapo”, no final da rua. Ela afirma que, desde então, os moradores enfrentam dificuldades frequentes com o abastecimento.
“Você abre a torneira, você não tem água. E reclamamos várias vezes. A gente chama o SAAE. Eles falam que não tem muito o que fazer, porque era para ter mudado a tubulação antes de pôr a bomba, e não foi mudado”, relatou.
De acordo com a moradora, a situação já dura aproximadamente três anos e meio. Ela também afirma que os períodos de maior dificuldade ocorrem principalmente aos sábados e domingos, quando, segundo os moradores, a água chega a faltar completamente.

“Aí falta mesmo. Falta. Hoje, por incrível que pareça, ela estava mais forte, mas ontem faltou”, disse.
A moradora também relatou que a baixa pressão é uma realidade praticamente diária. Segundo ela, mesmo quando a água chega às residências, muitas vezes não há pressão suficiente para atender adequadamente às necessidades dos moradores.
As caixas d’água instaladas nas residências, segundo os próprios moradores, ajudam a amenizar o problema, mas não resolvem a situação.

Levada até à lavanderia de uma casa, a reportagem da Gazeta presenciou a pouca pressão em uma torneira do tanque de lavar roupa: “eu encho o tanque de água e depois jogo dentro da máquina de lavar, pois preciso lavar minhas roupas. É um absurdo o que estamos passando”, desabafou.
A necessidade de armazenamento acaba sendo uma alternativa encontrada pelas famílias diante da irregularidade no fornecimento.
A escolha do momento para realizar o protesto não foi por acaso. Com a presença de pessoas no lançamento da candidatura, os moradores aproveitaram a visibilidade do evento para expor publicamente uma reclamação que, segundo eles, já foi apresentada diversas vezes aos responsáveis pelo serviço.

“Nós estamos mostrando para mais gente o que passa nesse pedaço de rua”, afirmou a moradora.
Na avaliação dos moradores, o problema deixou de ser um episódio pontual e passou a fazer parte da rotina da comunidade. “O SAAE é um descaso. É um descaso”, afirmou a moradora durante o relato.
A manifestação deste domingo colocou, literalmente, baldes e uma máquina de lavar no caminho da movimentação política para lembrar que, para quem vive na Rua Lindóia, o problema é bem menos simbólico: trata-se de uma necessidade básica que, segundo os moradores, continua sem solução depois de anos de reclamações.
Enquanto o debate político avançava no local, os objetos colocados na calçada expunham uma cobrança direta: antes de discursos e promessas, os moradores querem abrir a torneira e encontrar água.
Devido ao fato de ser domingo, a reportagem da Gazeta não conseguiu contato com a Prefeitura e SAAE, mas o espaço está aberto para qualquer posição oficial.






