Os Candreva em Itapira: uma história de trabalho, tradição e raízes
Entre as tantas famílias que ajudaram a construir a história de Itapira, os Candreva ocupam um lugar especial. A trajetória desse sobrenome em nossa cidade começa com um único homem: Lorenzo Candreva, que, ao chegar ao Brasil ainda criança, teve seu nome naturalmente abrasileirado para Lourenço Candreva, tornando-se o patriarca de todos os Candreva que hoje residem em Itapira.
Lorenzo nasceu em 12 de julho de 1891, na pequena cidade de Cerzeto, na Itália. Era filho de Ludovico Candreva e Maria Tereza Rizzo. Embora seus pais tenham fixado residência em Jacutinga, juntamente com os demais filhos, Lorenzo foi o único da família a nascer em solo italiano. Veio para o Brasil com apenas cinco anos de idade, trazendo consigo, ainda que muito pequeno, as raízes de uma família que atravessou o oceano em busca de uma nova vida.
Em Jacutinga, sua mãe, Maria Tereza Rizzo, destacou-se como fazendeira, sendo uma figura conhecida na região. Seu pai, Ludovico Candreva, faleceu em 31 de dezembro de 1913, enquanto Maria Tereza viveu até março de 1940, deixando também sua contribuição para a formação da família Candreva em terras brasileiras.

Casou-se com Rosalina da Conceição Leite, filha de Cyrino Leite Bueno e Ursolina Maria de Jesus. A união aconteceu no religioso em 26 de outubro de 1907, sendo posteriormente oficializada no casamento civil, em 26 de outubro de 1927.
Do casal nasceram, em Jacutinga, três filhos: José Candreva, em 1907; Sebastião Candreva, em 1910; e Lázaro Candreva, em 1911.
José Candreva constituiu família ao lado de Isabel Benegas e posteriormente mudou-se para o Paraná, onde deixou sua descendência.
Sebastião Candreva estabeleceu-se em Itapira, casando-se com Tercilia Ribeiro Candreva, com quem teve os filhos Oswaldo Candreva, Ruth Candreva, Walter Candreva e Irene Candreva, perpetuando o sobrenome em nossa cidade.

Já Lázaro Candreva casou-se em Itapira com Anna Izabel Libonatti, formando uma numerosa família composta por José Maria Candreva( o grande Chineizinho, craque no futebol ITAPIRENSE ) , Nelson Candreva, Neide Candreva Berloffa, Benedita Aparecida Candreva Caversan, a querida Ditinha Caversan, e Vicente Lourenço Candreva, conhecido por gerações de itapirenses como o Vicente da Auto Escola.
Foi por meio de Sebastião e Lázaro que se consolidou a presença da família Candreva em Itapira. Deles descendem grande parte dos Candreva que ainda hoje vivem na cidade, preservando um sobrenome que há décadas faz parte da história itapirense.

Lourenço Candreva era uma figura bastante conhecida na região da Igreja Santo Antônio. Ali mantinha seu tradicional bar, onde também residia com sua família. Durante os festejos da Congada, era presença constante. Apaixonado pela manifestação cultural, fazia questão de preparar os almoços para os congadeiros e acompanhava com entusiasmo os cortejos que passavam pela região. Homem de temperamento forte, era lembrado também por seu enorme coração e pela generosidade com que recebia amigos e conhecidos.
A família Candreva permaneceu por muitos anos vivendo nas proximidades da Igreja Santo Antônio, tornando-se parte da identidade daquele bairro. Alguns de seus integrantes exerceram o tradicional ofício de sapateiro, profissão bastante comum entre eles. Outra paixão compartilhada pela família era a pesca, passatempo que atravessou gerações e permanece vivo na memória de muitos descendentes.

Lourenço Candreva faleceu em 28 de março de 1947, em Itapira, deixando muito mais que um sobrenome. Deixou um legado de trabalho, simplicidade, união familiar e participação na vida da cidade. Sua história confunde-se com a própria formação de Itapira, e conhecer sua trajetória é também preservar a memória daqueles imigrantes que ajudaram, com esforço e dignidade, a construir a identidade do nosso município.






