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Gazeta Itapirense

Toninho e o fracasso da industrialização: Itapira chega ao fundo do poço no emprego

A economia de Itapira vive um dos momentos mais delicados das últimas décadas. Dados oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, mostram que o município encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo de apenas 74 vagas de emprego, o pior resultado para o período desde a pandemia da Covid-19.

Itapira perde para cidades menores como Lindóia e Jacutinga, entre outras.

Os números representam um verdadeiro colapso quando comparados aos anos anteriores. Em 2021, Itapira havia criado 966 empregos, recorde histórico. Em 2022 foram 782 vagas, seguido por 128 em 2023, 401 em 2024 e 415 em 2025. Agora, o município despenca para apenas 74 empregos, uma queda de 82,1% em relação ao ano passado e de 92,3% em comparação ao pico de 2021.

Quase 14 anos no comando e nenhum grande ciclo industrial

Toninho Bellini acumula quase 14 anos como prefeito — entre 2005 e 2012 e novamente desde 2021. Ao longo desse período, porém, críticos apontam que a cidade não conseguiu estruturar uma política consistente para atração de grandes investimentos industriais.

Enquanto municípios vizinhos ampliaram parques industriais e diversificaram suas economias, Itapira perdeu competitividade.

A falta de novas indústrias passou a ser acompanhada por outro fenômeno preocupante: a saída ou encerramento de empresas tradicionais, entre elas Nogueira Máquinas Agrícolas, Teka, Kronos, Alca Metalúrgica e outras que durante décadas ajudaram a movimentar a economia local.

Embora o fechamento ou transferência de empresas possa decorrer de diversos fatores econômicos e empresariais, opositores e representantes do setor produtivo sustentam que a ausência de uma estratégia municipal eficaz para retenção e atração de investimentos contribuiu para o enfraquecimento da base industrial.

Comércio e indústria perdem força

Os próprios números do Caged mostram quais setores deixaram de impulsionar a economia.

Em junho, o comércio eliminou empregos e a indústria também fechou o mês com saldo negativo. Apenas o setor de serviços evitou um resultado ainda pior, sustentando o saldo positivo do município.

Ou seja, justamente os segmentos que historicamente geram empregos de maior remuneração e fortalecem a arrecadação municipal apresentam sinais de enfraquecimento.

Itapira fica para trás

A comparação regional é ainda mais preocupante.

Enquanto Itapira criou apenas 13 empregos em junho, cidades vizinhas tiveram desempenho muito superior:

  • Mogi Guaçu: +316
  • Amparo: +137
  • Mogi Mirim: +117
  • Jacutinga: +87
  • Lindóia: +28
  • Itapira: +13

Somente Águas de Lindóia (-2) e Serra Negra (-19), municípios com economias muito mais dependentes do turismo e da sazonalidade, registraram desempenho inferior naquele mês.

O contraste evidencia que a desaceleração econômica não atingiu a região de maneira uniforme. Enquanto municípios vizinhos conseguiram atrair investimentos e gerar empregos, Itapira perdeu protagonismo.

Uma cidade sem novos investimentos

Especialistas em desenvolvimento regional costumam apontar que municípios que deixam de atrair novas empresas acabam entrando em um ciclo de estagnação: menos investimentos significam menos empregos, menor arrecadação e redução da capacidade de novos investimentos públicos.

É justamente esse quadro que muitos empresários afirmam enxergar em Itapira.

Após anos de administração Bellini, a cidade não registra a chegada de grandes empreendimentos industriais capazes de transformar sua economia.

Sem novos parques industriais, sem grandes empresas e convivendo com o fechamento de indústrias tradicionais, o mercado de trabalho perde dinamismo.

Os números falam por si

A evolução do saldo de empregos no primeiro semestre mostra o tamanho da deterioração:

  • 2020: -698 vagas
  • 2021: +966
  • 2022: +782
  • 2023: +128
  • 2024: +401
  • 2025: +415
  • 2026: +74

Depois da recuperação pós-pandemia, Itapira volta a apresentar um desempenho considerado alarmante.

Para críticos da administração municipal, os números desmontam o discurso de desenvolvimento econômico e revelam que, após quase 14 anos de governo somando seus mandatos, Toninho Bellini não conseguiu consolidar uma política capaz de atrair novos investimentos industriais, ampliar a geração de empregos de qualidade e impedir o enfraquecimento da economia local.

Os dados do Caged mostram apenas o resultado final: uma cidade que já foi referência regional na indústria hoje vê seus vizinhos crescerem enquanto permanece praticamente estagnada.