Explosão da cinomose assusta Itapira; quase 100 cães já morreram
Itapira vive um cenário preocupante com o avanço da cinomose canina em 2026. Segundo o médico veterinário Rodrigo Bertini, responsável técnico pelo Serviço de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde, este é o maior surto da doença que ele presenciou em mais de uma década de atuação no município.
“É o maior surto que eu já vi”, afirmou Bertini, que trabalha há cerca de 14 anos no serviço.
Até o momento, o município recolheu aproximadamente 95 cães que morreram ou precisaram ser submetidos à eutanásia após apresentarem quadro compatível com a doença. O número considera apenas os casos comunicados pela população ao Serviço de Controle de Zoonoses.
Segundo o veterinário, a Prefeitura não realiza exames para confirmar a cinomose. O protocolo consiste em coletar material dos animais mortos para descartar a possibilidade de raiva, já que, na fase neurológica, as duas doenças apresentam sintomas semelhantes.
“A gente coleta o material para descartar a raiva. Não é para confirmar cinomose, porque ela não é uma doença de interesse em saúde pública por não ser uma zoonose”, explicou.

Falta de vacinação é apontada como principal causa
Para Rodrigo Bertini, o crescimento expressivo dos casos está diretamente ligado à queda na vacinação dos cães.
“A primeira causa é a falta de vacinação. O pessoal esquece de vacinar”, afirmou.
Ele explica que a imunização começa ainda nos primeiros meses de vida do animal, com três doses da vacina V8 ou V10, preferencialmente importadas, seguidas de reforço anual.
O veterinário lembra que muitos tutores deixam de vacinar devido ao custo da imunização, que atualmente varia entre R$ 120 e R$ 150 por aplicação em clínicas veterinárias.
A obrigação de vacinar contra a cinomose é exclusivamente do tutor, pois não no Brasil um campanha do Poder Público pelo fato da doença não chegar nos humanos.

Frio favorece o avanço da doença
Outro fator que, segundo Bertini, contribui para o aumento dos casos é a oscilação de temperatura registrada durante o inverno.
“O esquenta e esfria derruba a imunidade dos animais”, explicou.
Ele alerta que cães infectados eliminam o vírus por secreções e também pela urina, facilitando a disseminação da doença no ambiente.
“Um cachorro pode passar urinando em frente ao portão. O cão que está dentro da casa cheira aquele local e pode se contaminar.”
Bairros concentram maior número de ocorrências
De acordo com o Serviço de Controle de Zoonoses, os bairros José Tonolli e Istor Luppi estão entre os locais onde foram registrados mais casos durante o atual surto.
Segundo Bertini, houve imóveis onde todos os cães morreram: “teve uma mulher que tinha seis animais. Ela perdeu os seis.”
Doença provoca intenso sofrimento
A cinomose é causada por um vírus da família dos morbilivírus e afeta exclusivamente animais da família dos canídeos, como cães, lobos e cachorros-do-mato. A doença não é transmitida aos seres humanos.
O veterinário explica que a enfermidade evolui rapidamente em três fases.
Inicialmente surgem sintomas digestivos, como febre, apatia, perda de apetite e diarreia. Em seguida aparecem sinais respiratórios, incluindo secreção nasal e ocular. Nos casos mais graves, o vírus atinge o sistema nervoso, provocando tremores musculares, perda da coordenação motora e convulsões.
Embora alguns animais consigam sobreviver, muitos ficam com sequelas neurológicas permanentes.
Veterinário defende punição para quem não vacina
Durante a entrevista, Rodrigo Bertini defendeu a criação de uma legislação que obrigue os tutores a manterem a vacinação dos cães em dia.
“Eu acredito que deveria existir uma lei obrigando a vacinação desses animais. Quem deixa de vacinar contribui para um sofrimento enorme. Isso também é uma questão de bem-estar animal.”
Raiva continua sob vigilância
Apesar do aumento da cinomose, Bertini esclarece que a doença não representa risco à população.
Já em relação à raiva, ele informou que dois morcegos insetívoros recolhidos em fevereiro tiveram diagnóstico positivo neste ano. Por isso, todo animal morto com sintomas neurológicos continua sendo submetido ao protocolo oficial para descarte da doença.
A vacinação antirrábica gratuita continua disponível durante todo o ano mediante agendamento junto ao Serviço de Controle de Zoonoses pelo WhatsApp (19) 99723-1295.
Alerta aos tutores
O principal recado do veterinário é que a prevenção continua sendo a única forma eficaz de evitar novas mortes.
“A vacina salva vidas. Quem ama seu animal precisa manter a vacinação em dia.”
Segundo ele, diante do maior surto registrado no município nos últimos anos, a conscientização dos tutores será decisiva para conter o avanço da doença e evitar que mais cães morram em Itapira.





