Cristália inaugura unidade de Genética Aplicada e anuncia pesquisa contra o alcoolismo
O Laboratório Cristália inaugurou na manhã desta terça-feira, 09, sua unidade voltada para Genética Aplicada, sendo a primeira planta do gênero de uma indústria farmacêutica brasileira. A equipe da Gazeta esteve presente para acompanhar este dia histórico não só para o Cristália e Itapira, mas para o planeta também.
Instalada em Campinas, a unidade representa uma revolução na indústria farmacêutica nacional e vai viabilizar a produção de medicamentos personalizados, que ajustam os tratamentos ao perfil genético do paciente para maior eficácia e menos efeitos colaterais.
A cerimônia contou com a presença do cofundador e presidente do Conselho Diretor, Dr. Ogari Pacheco, do vice-presidente do Conselho Diretor, Thiago Stevanatto, dos membros do Conselho, Ogari Pata Pacheco e Thales Gerolin, da Dra. Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia, e Informação em Saúde do Ministério da Saúde, da professora Ana Lúcia Godard, bióloga da UFMG, de vice-presidentes, diretores e do vereador Tiago Fontolan.

Prestigiaram o evento representantes da Biomanguinhos/Fiocruz, Prefeitura de Campinas, Instituto Butantan, CNPEM, Embaixada Britânica, UFMG, Instituto Bairral, FIEMG e Fundação Oswaldo Cruz.
Quem abriu os discursos foi Thiago Stevanatto que discorreu sobre o trabalho contínuo do Cristália ao longo de décadas, sempre em busca da inovação. Ele fez questão de destacar o legado de seu avô e cofundador do laboratório, João Stevanatto, e de sua mãe, a Dra. Kátia Stevanatto.

Dr. Pacheco começou falando de como veio para Itapira logo após se formar em medicina pela USP/SP, trazido pelo também médico Jovino Fernandes: “ele estava atrás de uma pessoa que fosse um ‘pé de boi para trabalhar’ e, no Hospital das Clínicas (USP), alguém me indicou. Ele me ofereceu casa, comida e roupa lavada, não teve como dizer não”, brincou.
Mas a brincadeira teve como foco chegar até à pesquisa de ponta que o Cristália vem desenvolvendo nesta nova planta industrial: um medicamento contra o alcoolismo: “acabei indo trabalhar como clínico no Bairral (Instituto) e lá conheci de perto o drama do alcoolismo. Esta unidade inaugurada hoje não foi à toa, foi para buscar ajudar a sociedade, tem muita gente procurando ajuda. Queremos atuar na base, na raiz dos problemas genéticos e ajudar a sociedade como um todo”, disse.

Com investimento de cerca de R$ 70 milhões, a unidade será dedicada à pesquisa e ao desenvolvimento de potenciais ativos na perspectiva da genética, como RNA (ácido ribonucleico) e ASO (sequências sintéticas de DNA ou RNA), bem como terapias gênicas avançadas e vetores virais.
O laboratório já está desenvolvendo pesquisa de um produto voltado para o tratamento do alcoolismo. O projeto conta com a consultoria da Professora Ana Lucia Brunialti Godard, professora titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que descobriu um gene responsável pela regulação da dependência e que hoje não tem um tratamento que permita sua correção. A especialista atua no Departamento de Genética, Ecologia e Evolução da universidade. É especialista em modelos animais para estudos de doenças humanas, incluindo alcoolismo e patologias biológicas.

“Sim, o alcoolismo é uma doença. Decidimos investir na pesquisa e estamos obtendo resultados promissores”, afirmou Dr. Pacheco.
A planta conta também com laboratórios para o desenvolvimento de terapias celulares, como: CAR-T, tratamento genético revolucionário que reprograma as células de defesa do paciente para reconhecer e destruir células cancerígenas; CAR-NK, linfócitos Natural Killer modificados geneticamente para tratamento oncológico e hematológico; e nanopartículas lipídicas. Os pesquisadores já trabalham também no desenvolvimento de tecnologias de RNA para o tratamento da sarcopenia (perda progressiva e generalizada de massa, força e função muscular comum após os 60 anos).
De acordo com o Dr. Pacheco, as tecnologias voltadas para genética não apenas complementam a medicina tradicional, mas redefinem o que entendemos como tratamento. “Os grandes atributos dessas tecnologias podem ser simplificados em possibilidade de tratamento para enfermidades de origem genética, medicina de precisão, imunoterapia e miniaturização dos volumes de produção”, explica.

Dr. Pacheco destaca que a unidade de Genética Aplicada do laboratório Cristália não é apenas um centro de pesquisa e desenvolvimento, mas um hub estratégico de inovação, capaz de gerar produtos de altíssimo valor agregado e de transformar radicalmente o panorama da medicina humana.
“A unidade é estratégica para o avanço da Saúde no país”, ressalta Dr. Pacheco. “Países e instituições que dominam essas plataformas se posicionam na vanguarda científica e econômica. Além de ajudar a salvar vidas, estamos gerando novos mercados, atraindo investimentos e consolidando a liderança em biotecnologia”, afirma.
Instalada no Loteamento Alphaville Empresarial de Campinas, a unidade de Genética Aplicada do Cristália ocupará uma área total de 1.006 m2. A planta conta com oito laboratórios equipados com tecnologias ainda únicas no Brasil, importadas da Suécia, Bélgica e Estados Unidos. Alguns equipamentos, como Oligosynt (RNA) e Ignite (formulação de nanopartículas lipídicas) ainda não estavam disponíveis em nenhuma indústria brasileira.
Fotos: Cauã Carvalho/Laboratório Cristália





