Gazeta Itapirense

Editorial – Santa Casa X Unimed: Toninho Bellini não vai se manifestar???

A crise provocada pelo fim do atendimento da Unimed na Santa Casa de Itapira, em vigor desde a última sexta-feira, 1º de maio, segue gerando apreensão entre moradores — e, até o momento, sem um posicionamento direto do prefeito Toninho Bellini.

Todo mundo sabe que omissão é uma marca registrada de Toninho Bellini toda vez que um problema aparece, ainda mais se for um com a dimensão deste.

Se tivesse o mínimo de consideração com a população na quinta-feira, 30 de abril, quando a ‘bomba’ estourou via imprensa da cidade, já teria gravado um vídeo ou publicado uma nota pessoal.

Mas o silêncio sepulcral ainda impera pelos corredores da Prefeitura, em especial no gabinete do prefeito.

Tivemos informações que secretários mais ‘chegados’, o vice-prefeito Mario da Fonseca e pessoas que gravitam no entorno do prefeito estão incomodadas com a situação que não condiz com a de um líder político.

Passados cinco dias desde a ruptura contratual, considerada um dos episódios mais impactantes recentes na área da saúde do município, a ausência de uma manifestação oficial do chefe do Executivo chama atenção. A única comunicação divulgada até agora partiu das redes sociais da Prefeitura, mas sem uma fala da pessoa eleita em 2024 com grande votação.

A situação é considerada delicada. Com o encerramento do contrato entre a Santa Casa e a Unimed Regional da Baixa Mogiana, beneficiários do plano ficaram sem atendimento hospitalar na cidade, sendo obrigados a buscar assistência em municípios vizinhos. O cenário levanta dúvidas não apenas sobre o acesso imediato à saúde, mas também sobre a capacidade de resposta do poder público diante de uma mudança abrupta.

Especialistas em gestão pública apontam que, em momentos de crise, a comunicação direta das autoridades é essencial para reduzir incertezas e orientar a população. No caso de Itapira, cresce a expectativa por um posicionamento claro do prefeito: quais medidas estão sendo adotadas? Há intermediação ou tentativa de diálogo entre as partes? Existe um plano emergencial para absorver eventual aumento na demanda da rede pública?

A Santa Casa informou que a decisão decorre exclusivamente do encerramento das tratativas contratuais com a operadora e que permanece aberta a negociações. Ainda assim, sem uma articulação visível do poder público municipal, a população segue sem respostas concretas.

A ausência de pronunciamento do prefeito também levanta questionamentos sobre o papel da administração municipal em momentos críticos. Ainda que o contrato envolva uma instituição privada e uma operadora de saúde, os impactos recaem diretamente sobre os moradores — o que torna a situação, inevitavelmente, um tema de interesse público.

Diante disso, aumenta a cobrança para que o prefeito Toninho Bellini venha a público esclarecer a situação, apresentar estratégias e, principalmente, oferecer segurança à população sobre o acesso à saúde no município.

Em um cenário de incerteza, silêncio institucional tende a ampliar a preocupação — e não a resolvê-la.