Festa de Maio menor: número de barracas despenca mais de 60% em 2 anos
A tradicional Festa de São Benedito, a Festa de Maio, uma das celebrações mais antigas e simbólicas do município, chega à edição de 2026 sob forte clima de incerteza — e com números que acendem um alerta preocupante sobre o futuro do evento que começa oficialmente nesta sexta-feira, 01.
Levantamento feito pela reportagem aponta uma queda significativa no número de barraqueiros em relação aos anos anteriores. Para este ano, foram confirmadas apenas 68 barracas, sendo 29 de alimentação e 39 de variedades.
O número representa uma redução expressiva de 44% em comparação a 2025, quando 122 comerciantes participaram, e ainda mais impactante frente a 2024, que contou com 182 inscritos — uma queda de impressionantes 62%.
A diminuição não é por acaso. Comerciantes ouvidos pela reportagem apontam uma série de fatores que desestimularam a participação, sendo o principal deles o aumento no valor cobrado por metro quadrado. Dependendo da localização e do tipo de atividade, os preços variam entre R$ 25,00 e R$ 50,00 por metro quadrado ao dia, valores considerados elevados por muitos barraqueiros, especialmente diante das incertezas sobre o público.
Outro ponto crucial é a ausência do parque de diversões Unipark, tradicionalmente uma das principais atrações da festa e responsável por impulsionar o fluxo de visitantes. Neste ano, além da não confirmação do parque, a área destinada às atrações foi reduzida, ficando restrita ao gramado da rua Vitório Coppos, sem a utilização do asfalto, como ocorreu em edições anteriores.
Um novo parque foi contratado às pressas após a população cair de pau em cima do prefeito Toninho Bellini devido à possibilidade de não haver esta atração em 2026.
Na prática, o que se desenha é uma festa menor — tanto em estrutura quanto em expectativa de público. Para muitos comerciantes, investir em barracas diante desse cenário representa um risco alto. “Sem parque e com menos espaço, a tendência é cair o movimento. Ninguém quer sair no prejuízo”, relatou um comerciante que optou por não participar neste ano.
Há ainda aqueles que adotaram uma postura de cautela: preferem aguardar o andamento do evento para decidir se irão montar suas barracas apenas na reta final, após o dia 6 de maio, quando tradicionalmente há maior concentração de público.
O reflexo dessa combinação de fatores é direto: menos comerciantes, menos opções ao público e um evento que, aos poucos, perde força. O cenário contrasta com a grandiosidade histórica da Festa de Maio, que sempre foi vista como um dos principais cartões-postais culturais e religiosos de Itapira.
A situação também levanta questionamentos sobre planejamento e gestão do evento. A redução no número de participantes, somada à perda de atrações importantes, reforça a percepção de que a festa pode estar enfrentando um processo de enfraquecimento — algo que preocupa tanto moradores quanto os comerciantes.
Enquanto a montagem das estruturas segue e a festa se aproxima, o sentimento predominante é de apreensão. Resta saber se, apesar dos números e das críticas, o público conseguirá manter viva a tradição ou se 2026 marcará mais um capítulo de queda em um dos eventos mais emblemáticos da cidade.






