Licitação do cursinho é deserta de novo e alunos podem ficar sem estudar
A situação do cursinho pré-vestibular gratuito da Prefeitura de Itapira ganhou mais um capítulo preocupante — e, desta vez, ainda mais grave. O Pregão Eletrônico nº 027/2026, que previa a contratação de empresa para oferecer o curso aos estudantes da rede pública, foi oficialmente declarado deserto no dia 29 de abril.
E o motivo parece cada vez mais evidente.
A nova licitação fracassada escancara um problema que já vinha sendo denunciado: a falta de pagamento por parte da administração municipal em contratos anteriores. Dados do próprio Portal da Transparência mostram que, do contrato firmado em 2025 no valor de R$ 260 mil, apenas R$ 142.675,00 foram pagos. Ou seja, praticamente metade ficou em aberto. Mesmo após um pagamento parcial em 2026, ainda restam cerca de R$ 98.800,00 pendentes.
Diante desse cenário, a pergunta é inevitável: qual empresa vai assumir um serviço público sabendo que corre o risco de não receber?
O resultado é o que se vê agora — duas licitações seguidas e nada de sair um vencedor. Não por falta de empresas no mercado, mas por falta de confiança na gestão pública.
Enquanto isso, os estudantes seguem sendo os principais prejudicados. Já no fim de abril, Itapira ainda não iniciou as aulas do cursinho, enquanto cidades da região começaram a preparação logo após o Carnaval. Para muitos jovens, especialmente aqueles que dependem exclusivamente da iniciativa pública, essa era a única oportunidade de preparação para o Enem e vestibulares.
A condução do processo também levanta questionamentos sobre planejamento. A licitação foi lançada tardiamente, em abril, quando o calendário educacional já está em andamento. Mesmo que houvesse interessados, o início das aulas já seria comprometido.
Para o vereador e professor Leandro Sartori, defensor histórico do cursinho, o problema é estrutural e recorrente. “Neste ano, Itapira provavelmente não terá cursinho municipal; e isso não é acaso, é escolha. A licitação só ocorreu em abril, enquanto outras cidades já iniciaram as aulas em fevereiro. Isso mostra que o cursinho não é prioridade. Para piorar, há documentos que comprovam que a empresa do ano passado não recebeu integralmente. Nenhuma empresa apareceu agora, provavelmente por medo de um novo calote”, afirmou.
Ele ainda alerta para o impacto direto nos estudantes: “A cidade pode deixar quase 100 alunos sem acesso a essa preparação. É uma falha grave de política pública”.
A crise vai além de um simples atraso. O que se vê é um efeito em cadeia: dívida não quitada, perda de credibilidade e, por fim, estudantes sem aula.
Sob a gestão do prefeito Toninho Bellini, o caso levanta um questionamento direto sobre prioridades. Enquanto outras áreas menos necessárias (obra de R$ 8 milhões do Mercadão e o prolongamento da avenida David Moro R$ 15 milhões) recebem investimentos, um programa essencial para o futuro de jovens da cidade simplesmente não sai do papel — ou pior, trava por falta de confiança na própria administração.
Na prática, o cenário é duro: contrato não pago, licitação que não anda e alunos abandonados.
Mais do que um problema administrativo, o caso revela uma gestão que falha em honrar compromissos básicos — e cujo custo está sendo pago, mais uma vez, pelos estudantes de Itapira.
Outro lado
Nossa reportagem enviou na tarde de ontem perguntas sobre mais esta situação para o Departamento de Comunicação da Prefeitura, mas somente agora, após a publicação da matéria, foi enviada a posição oficial: “A licitação foi aberta e havia três empresas interessadas. Dessas três, somente uma encaminhou a proposta, mas não fez corretamente o preenchimento dos campos obrigatórios no sistema. Passado o tempo do certame, o sistema acusou licitação deserta porque os campos não haviam sido preenchidos corretamente.E quando isso ocorre, não é possível fazer nenhuma alteração manual no sistema. Desta forma, a licitação foi declarada deserta e será reaberta, com data já marcada para o dia 15 de maio.”
Válido lembrar que a Gazeta pegou a informação de licitação deserta no Jornal Oficial de Itapira, publicado pela Prefeitura na tarde de ontem (imagem abaixo).







