Gazeta Itapirense

Abandono escancarado: Praça Mogi Mirim vira símbolo do descaso

O que já foi um dos principais pontos de convivência entre moradores do bairro Santa Cruz e alunos da escola ESO hoje se tornou um retrato claro do abandono do espaço público em Itapira. A Praça Mogi Mirim, usada diariamente como ligação entre diversos bairros e o Centro, está tomada pelo descaso — e a população já não esconde mais a indignação.

Moradores e comerciantes procuraram a reportagem da Gazeta para denunciar o estado crítico do local. Bancos quebrados, com laminas de madeiras dos assentos faltando oferecem risco real de acidentes, além de não poder ser usado para sentar. Dos cinco banco da praça, apenas um está em condição de uso e mesmo assim com um pedaço grande lascado.

Em alguns casos, a estrutura está tão deteriorada que virou uma verdadeira armadilha para quem tenta se sentar.

As partes de concreto dos bancos estão sem pintura alguma.

Bancos sem assentos para que as pessoas possa se sentar: vergonha (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

O paisagismo, que um dia existiu, desapareceu: o gramado está desgastado, cheio de falhas e, em diversos pontos, tomado por formigueiros. A mureta próxima à escola Elvira Santos de Oliveira, sem pintura há anos, completa o cenário de abandono.

Uma estrutura de concreto de 1991 aponta uma reforma feita pelo então prefeito Bebeto Munhoz e na placa grudada nela uma frase que não combina com a realidade de hoje: “orgulho dos itapirenses, especialmente dos moradores do bairro Santa Cruz’.

O resultado é um espaço público praticamente inutilizável e que deveria ser um cartão-postal do bairro virou motivo de vergonha.

Mureta não vê uma mão de tinta há muito tempo: relaxo (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

E como se não bastasse o abandono da praça, há um problema ainda mais grave ignorado há anos: o cruzamento das ruas Rui Barbosa e General Carneiro. O ponto é conhecido pelo alto número de acidentes e já deveria contar com um semáforo — promessa antiga da Prefeitura que nunca saiu do papel. A cada dia que passa, o risco permanece o mesmo, enquanto a solução segue apenas no discurso.

O caso ganha contornos ainda mais incômodos quando se considera que o prefeito Toninho Bellini mora a poucos metros da praça e passa pelo local todos os dia, pelo menos 4 vezes. Nem mesmo a proximidade física com o problema foi suficiente para tirar o espaço do abandono. Para os moradores, a sensação é clara: falta prioridade — ou vontade política.

No pouco de grama que ainda sobrou, formigueiros se espalham Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

A Prefeitura chegou a se manifestar. Em resposta enviada no dia 16 de abril, informou que uma “revitalização” seria iniciada em até 15 dias, com materiais já sendo providenciados. O prazo se encerra agora, às vésperas da tradicional Festa de Maio — e, até o momento, nenhuma movimentação foi vista no local.

A coincidência levanta uma dúvida inevitável: a obra vai realmente sair do papel ou a promessa será apenas mais uma entre tantas feitas e não cumpridas? Começar uma intervenção em meio ao maior evento religioso da cidade também levanta questionamentos sobre planejamento e prioridade.

O local que era pra ser orgulho da população é a cara do governo Toninho Bellini: um desastre Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

Enquanto isso, a realidade segue exposta: bancos quebrados, estrutura deteriorada, risco de acidentes e um espaço público abandonado diante dos olhos de todos.

A Praça Mogi Mirim, que deveria ser motivo de orgulho para o bairro, hoje se tornou símbolo de um problema maior — a distância entre o discurso da administração e a realidade enfrentada pela população.