Toninho Bellini vai usar dinheiro do Fundo de Pensão para tapar rombo da Prefeitura
A decisão do prefeito Toninho Bellini de recorrer ao parcelamento de débitos futuros com o fundo previdenciário municipal acendeu mais um sinal vermelho sobre a condução das finanças públicas da cidade. A medida, aprovada recentemente pela Câmara dos Vereadores, escancara um cenário de aperto de caixa que, na prática, empurra obrigações para o futuro enquanto tenta aliviar a pressão imediata sobre o Tesouro.
O projeto autoriza o refinanciamento de valores que sequer venceram ainda, ligados ao Fundo Municipal de Aposentadorias e Pensões (FMAP). Na prática, a administração municipal deixa de quitar compromissos no curto prazo e passa a diluí-los ao longo de anos, comprometendo receitas futuras e transferindo o problema para as próximas gestões.
O ponto mais sensível da medida é justamente a origem dos recursos: o fundo previdenciário dos servidores. Especialistas costumam tratar esse tipo de operação com cautela, já que mexer em recursos destinados a aposentadorias pode comprometer a saúde financeira do sistema no longo prazo. Ao optar por esse caminho, a Prefeitura assume um risco que vai além do momento atual e pode atingir diretamente os servidores municipais no futuro.

A justificativa apresentada pelo prefeito Toninho Bellini aponta para um “cenário econômico desafiador” e oscilações na arrecadação, além de aumento nas despesas obrigatórias. No entanto, a explicação não tem sido suficiente para conter as críticas. Para muitos, a medida revela mais do que uma dificuldade pontual: evidencia falhas estruturais no planejamento financeiro da administração.
Na prática, o parcelamento funciona como uma espécie de “respiro artificial” nas contas públicas. A Prefeitura deixa de desembolsar cerca de R$ 8 milhões no curto prazo — valor referente ao período entre março e agosto — e distribui esse montante em dezenas de parcelas ao longo de anos. Como garantia, vincula parte da receita corrente líquida do município, comprometendo ainda mais o orçamento futuro.
Críticos apontam que a estratégia se assemelha a “trocar o problema de lugar”, sem enfrentar sua raiz. Ao invés de cortar gastos, rever contratos ou buscar alternativas sustentáveis, a gestão opta por recorrer a um fundo que deveria ser protegido — e não utilizado como válvula de escape para despesas correntes.
Outro ponto que gera preocupação é o precedente. O uso recorrente de mecanismos desse tipo pode indicar um ciclo perigoso, no qual o município passa a depender de soluções emergenciais para equilibrar as contas, agravando a crise ao longo do tempo.
É válido destacar também que o prefeito pretende pagar a dívida com juros maior que o de mercado, ou seja, a Prefeitura vai pagar juros maiores para arcar com a má administração bellinista.
A aprovação do projeto também levanta questionamentos sobre o papel do Legislativo, que deu aval à medida mesmo diante dos riscos apontados. Para parte da população, faltou um debate mais profundo sobre os impactos reais dessa decisão.
Enquanto isso, a conta fica para o futuro. E, como costuma acontecer em casos assim, quem pode acabar pagando o preço são os servidores e contribuintes — justamente aqueles que deveriam ser protegidos por uma gestão responsável e transparente dos recursos públicos.
Procurada por nossa reportagem, a presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Itapira, Cristina Gomes, curiosamente afirmou não enxergar problema na operação bellinista: “para o Fundo de Pensão não há prejuízo, porque a taxa de juros do parcelamento é maior que qualquer aplicação que o Fundo venha a fazer, mas não vejo que é benéfico para as finanças públicas porque são taxas de juros acima das de mercado”.






