Gazeta Itapirense

Site do ‘kit bucal’ superfaturado tirado do ar após denúncia da Gazeta reaparece

A polêmica envolvendo a compra de kits de higiene bucal pela Prefeitura de Itapira ganhou novos contornos. Após a denúncia de superfaturamento feita Gazeta em setembro de 2025, o site da empresa fornecedora, a Editora Camano Sá Ltda (camanosa.com.br), simplesmente saiu do ar. Agora, sete meses depois, a página voltou, mas com uma mudança significativa: os preços desapareceram.

Foi justamente no site da empresa que a reportagem encontrou a prova do superfaturamento. O mesmo kit adquirido pela Prefeitura por R$ 165,00 era ofertado publicamente por R$ 89,90. A diferença não é pequena — representa um impacto estimado em mais de R$ 480 mil aos cofres públicos.

Logo após as denúncias da Gazeta, em setembro de 2025, o site foi tirado do ar

A retirada do site do ar logo após a repercussão do caso levanta suspeitas. E o retorno sem qualquer menção a valores amplia ainda mais o cenário de desconfiança. O que antes era transparente, agora virou uma vitrine sem referência — justamente após a exposição pública dos preços.

Outro ponto que chama atenção é o volume da licitação. O processo nº 327/2024 previa um total de R$ 1.943.370,00. No entanto, até o momento, foram gastos cerca de R$ 1.054.000,00. Havia ainda a previsão de aquisição de mais 5.600 kits, que seriam distribuídos aos pais dos alunos da rede municipal.

Mas, após a denúncia, a compra foi interrompida — mesmo com recursos disponíveis em caixa, provenientes de emenda parlamentar federal. Ou seja: há dinheiro, havia previsão de compra, mas o processo foi freado depois que as denúncias da Gazeta vieram à tona.

O caso levanta uma questão inevitável: se estava tudo correto, por que parar?

Agora, sete meses depois, o site voltou mas sem os preços dos kits

A situação expõe indícios preocupantes de superfaturamento, falta de transparência e gestão questionável de recursos públicos. Soma-se a isso o fato de que outros municípios também já estão sendo investigados pelo Ministério Público por contratos semelhantes com a mesma empresa, sempre com suspeitas de valores inflados.

Enquanto isso, a população segue convivendo com dificuldades em áreas essenciais, como saúde e educação. E, no meio desse cenário, mais de R$ 1 milhão já foi destinado a uma compra cercada de dúvidas — que agora, curiosamente, perdeu até a referência pública de preços.

O episódio reforça a necessidade de apuração rigorosa. Porque tirar um site do ar — ou esconder valores — não apaga os fatos.

E, no fim, a pergunta continua: quem vai explicar essa conta?