Crônica: O segredo das pamonhas, por Rodrigo Alves de Carvalho
Chico Pamonha é um rapaz bastante conhecido, não só na cidade onde mora, mas também nos municípios circunvizinhos.
Chico Pamonha é famoso pelas suas pamonhas fresquinhas, feitas com carinho há mais de dez anos, seja pamonha doce ou salgada, seja pamonha pura ou com pedaços de queijo ou linguiça.
No início, Chico Pamonha vendia suas pamonhas numa Kombi velha, com um alto falante pregado no teto e uma musiquinha do Amado Batista, que anunciava para todos que o Pamonha estava passando nas ruas.
Em pouco tempo, Chico Pamonha comprou mais duas Kombis, contratou seus dois irmãos, e passou a vender pamonha nas cidades vizinhas.
— As pamonhas do Chico são deliciosas! – Dizia o Coronel Jovelino, que na verdade, não era Coronel, mas era bastante rico e possuía muitas propriedades rurais na cidade.
Coronel Jovelino por várias vezes pediu para o Chico Pamonha contar o segredo de suas pamonhas, que eram tão gostosas. Mas Chico, não contava o segredo para ninguém.
Em muitas ocasiões, Coronel Jovelino, que plantava milho em suas propriedades, colheu as espigas e contratou as melhores cozinheiras e doceiras para prepararem as pamonhas, mas em nenhuma ocasião as pamonhas chegaram perto de ficarem iguais às pamonhas do Chico Pamonha, seja na consistência ou no sabor inconfundível e até, prazeroso de se comer.
Hoje, Chico Pamonha e seus irmãos vendem suas inconfundíveis pamonhas em Vans equipadas, tem uma clientela fiel, que aumenta cada vez mais.
Coronel Jovelino continua fã das pamonhas, compra quase todos os dias e sempre tenta convencer o Chico a revelar o misterioso segredo de suas pamonhas saborosas. Chegou ao ponto, de oferecer uma generosa quantia em dinheiro, mas Chico disse não!
Entretanto, esses dias atrás, um cunhado do Chico Pamonha, que começou a trabalhar com eles, perguntou sobre esse famoso e misterioso segredo, já que acompanhava a fabricação das pamonhas e não via nada de mais.
Chico Pamonha então revelou o mistério, mas disse que era segredo de estado:
— As pamonhas são feitas com espigas de milho colhidas às escondidas, na beira da estrada, nas terras do Coronel Jovelino.
Depois, deu uma piscadela e sorriu:
— Pamonha gostosa tem que ser feita com milho “roubado”!

RODRIGO ALVES DE CARVALHO nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta, possui diversos prêmios em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas promovidas por editoras e órgãos literários. Atualmente colabora com suas crônicas em conceituados jornais brasileiros e Blogs dedicados à literatura.
Em 2018, lançou seu primeiro livro intitulado “Contos Colhidos”, pela editora Clube de Autores. Trata-se de uma coletânea com contos e crônicas ficcionais, repleto de realismo fantástico e humor. Também pela editora Clube de Autores, em 2024, publicou o segundo livro: “Jacutinga em versos e lembranças” – coletânea de poemas que remetem à infância e juventude em Jacutinga, sua cidade natal, localizada no sul de Minas Gerais. Em 2025, publicou o terceiro livro “A saga de Picolândia” – série de relatos sociopolíticos acontecidos em Picolândia – uma pequena cidade do interior, cuja sua principal fonte de renda é a produção de sorvetes. Com um tom humorístico e irônico, com uma pitada de realismo





