Indústria: a urgência de uma política de Estado para o Brasil, por Nelson Theodoro
Quando falamos do desenvolvimento de um país, inevitavelmente precisamos falar de indústria. A indústria sempre foi um dos pilares do crescimento econômico, da geração de empregos qualificados e da inovação tecnológica. No entanto, o Brasil vive hoje um momento que exige reflexão e, principalmente, ação.
Com certa urgência, precisamos de uma política de Estado voltada ao investimento produtivo no país. Uma política que priorize setores estratégicos como tecnologia, comunicação, inteligência artificial, inovação e desenvolvimento industrial. Sem um direcionamento claro e consistente, o Brasil corre o risco de continuar perdendo espaço no cenário global.
O que sentimos hoje é justamente a ausência de uma política industrial e tecnológica de longo prazo. E mais do que isso: sonhamos também com metas de médio prazo que permitam construir uma transição segura para um país mais competitivo. A falta dessa estratégia enfraquece, ano após ano, a indústria nacional.
Essa mudança precisa começar em algum lugar. Pode nascer no município, com iniciativas locais que incentivem inovação, formação técnica, atração de investimentos e fortalecimento das cadeias produtivas. Boas práticas locais podem servir de exemplo e inspiração para todo o país.
Quando observamos os grandes projetos de infraestrutura no Brasil, vemos com frequência empresas estrangeiras liderando e vencendo as principais licitações. Isso mostra que, muitas vezes, nossas empresas não conseguem competir em igualdade de condições. O Brasil acaba participando menos do que poderia em projetos realizados dentro do próprio território.
Parte desse problema está ligada ao desequilíbrio tributário. A complexidade e o peso da carga tributária reduzem a competitividade das empresas nacionais, dificultando investimentos, inovação e expansão.
Esse cenário pode se tornar ainda mais desafiador com a entrada em vigor do acordo comercial entre o Mercado Comum do Sul e a União Europeia. Embora acordos comerciais tragam oportunidades, também exigem que nossa indústria esteja preparada para competir com economias altamente industrializadas e tecnologicamente avançadas.
Por isso, o Brasil precisa de uma política industrial séria, estruturada e de longo prazo. Uma política que ultrapasse ciclos eleitorais e seja conduzida como uma verdadeira estratégia nacional. O desenvolvimento industrial não pode depender de disputas ou interferências políticas momentâneas.
Se queremos um país mais forte, competitivo e inovador, precisamos investir na indústria, na tecnologia e no conhecimento. O futuro do Brasil passa, inevitavelmente, por uma estratégia clara de desenvolvimento industrial.

Nelson Theodoro Junior, Presidente da Associação Comercial e Industrial de Mogi Mirim, Diretor da Fecomercio-SP, Diretor do Sincomércio de Mogi Mirim e Presidente do Conselho do Patrimônio de Mogi Mirim.







