Gazeta Itapirense

Idosa descobre que ‘estava aposentada’ no Rio após procurar advogado

Uma idosa de 74 anos moradora aqui em Itapira descobriu que estava sendo vítima de uma fraude previdenciária após procurar o advogado José Hortêncio Francischini para dar entrada em sua aposentadoria. O caso, que envolve um benefício aberto ilegalmente no Rio de Janeiro, está sendo investigado pela Polícia Federal.

De acordo com o advogado Francischini, a -situação veio à tona quando a mulher procurou seu escritório para iniciar o processo de aposentadoria. Ao reunir a documentação e protocolar o pedido, surgiu uma surpresa: o sistema indicava que ela já estava aposentada.

“Ela foi no escritório e pediu para dar entrada na aposentadoria dela. Juntei toda a documentação e fizemos o pedido. Mas a aposentadoria veio negada, dizendo que ela já se encontrava aposentada”, explicou o advogado.

Dr. Franceschini, decano da advocacia itapriense, descobriu a fraude (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

Benefício aberto no Rio de Janeiro

Após a negativa, Francischini buscou esclarecimentos junto ao órgão previdenciário. A investigação inicial confirmou que, de fato, existia um benefício em nome da idosa — porém concedido no Rio de Janeiro, cidade que ela afirma nunca ter visitado.

“Estivemos no órgão para levantar a situação e foi comprovado que realmente ela já estava aposentada, mas aposentada lá no Rio de Janeiro. A pessoa que fez isso estava recebendo em nome dela em Copacabana, no Banco do Brasil”, relatou o advogado.

Segundo ele, ao solicitar acesso ao processo utilizado para conceder o benefício, foram encontrados dados pessoais verdadeiros da vítima.

“A RG dela estava lá. Conferimos o nome, bateu o nome do pai, da mãe, data de nascimento, tudo”, afirmou. Questionado se os documentos coincidiam totalmente, ele reforçou: “A RG bateu, o CPF bateu”.

Suspeita de fraude organizada

As informações indicam que os golpistas utilizaram dados reais da vítima para dar entrada na aposentadoria. Conforme o advogado, a idosa era sócia de uma empresa, e os criminosos podem ter acessado registros empresariais para obter seus dados.

“Como ela era sócia de uma empresa, eles entraram na Junta e tiraram os dados para dar entrada no benefício”, explicou.

Diante da suspeita de fraude, Francischini registrou boletim de ocorrência e o caso foi encaminhado à Polícia Federal. “Fui à delegacia, fiz o boletim de ocorrência e fui encaminhado para a Polícia Federal para apurar os fatos”, disse.

O pagamento do benefício fraudulento foi suspenso após a denúncia. No entanto, segundo o advogado, houve ainda uma tentativa de reativar o pagamento posteriormente.

“Essa aposentadoria foi suspensa lá no Rio de Janeiro. Depois da suspensão ainda houve outra tentativa de liberação novamente”, contou.

Um ano de pagamentos indevidos

O advogado afirma que os criminosos estavam recebendo o benefício havia cerca de um ano antes de a fraude ser descoberta.

“Eles estavam recebendo um salário mínimo por mês e já fazia um ano que os bandidos estavam recebendo a aposentadoria dela lá no Rio de Janeiro”, relatou.

Enquanto a investigação não é concluída, a idosa também não consegue receber sua aposentadoria legítima.

“Não conseguimos resolver a situação dela aqui porque está suspenso até resolver o que aconteceu lá no Rio de Janeiro”, explicou. Enquanto não resolver no Rio, não podemos resolver a situação dela aqui.”

Caso poderia nunca ter sido descoberto

Para o advogado, o caso evidencia um possível esquema de fraude dentro do sistema previdenciário. “O que dá a entender é que tem gente lá dentro envolvida. Porque essa mulher nem conhece o Rio de Janeiro e nunca esteve lá”, afirmou.

Ele também destacou que o crime só foi descoberto porque a vítima procurou iniciar seu processo de aposentadoria. “O mais impressionante é que, se essa mulher não tivesse nos procurado para fazer a aposentadoria, os bandidos iam receber o resto da vida a aposentadoria dela”, disse.

Orientação para quem vai se aposentar

Diante da situação, Francischini, que é um dos mais renomados advogados de Itapira e região, recomenda que trabalhadores que pretendem se aposentar procurem orientação especializada para evitar problemas.

“Minha dica é procurar um advogado para dar entrada no processo, juntar a documentação necessária e acompanhar tudo. Está tendo muita fraude e talvez existam outros casos”, alertou.

O caso segue sob investigação da Polícia Federal, que deve apurar quem solicitou o benefício fraudulento e se há participação de outras pessoas ou servidores no esquema.