Sebastiana Delgado: uma mulher à frente de seu tempo
Nesta semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, uma memória importante da história de nossa gente merece ser lembrada. Em 2026 completam-se 50 anos da morte de Sebastiana Delgado, uma mulher cuja vida atravessou preconceitos, silêncios e injustiças, mas que deixou um legado de força, coragem e dignidade.
Conhecida como Sebastiana Delgado, Sebastiana Rodrigues Salgado ou simplesmente Sebastiana Salgado Delgado, ela carregava consigo até mesmo a marca da complexidade de sua própria história: possuía dois registros de nascimento, reflexo de uma época em que muitas vidas, especialmente as das mulheres, eram registradas de maneira imprecisa ou invisibilizada.

Sebastiana foi uma mulher à frente de seu tempo. Inteligente, culta, de personalidade forte e espírito livre, ela viveu em uma sociedade que pouco tolerava mulheres que pensavam por si mesmas. Em uma época marcada por rígidos padrões morais e sociais, Sebastiana ousou viver sua própria história, sem se curvar às imposições que frequentemente silenciavam tantas outras mulheres.
Ela manteve um relacionamento com José Francisco Filho, o saudoso Zé Chico, figura conhecida e respeitada em sua época. Dessa união nasceu Maria Benedicta Delgado Francisco Candreva, que mais tarde se casaria com José Maria Candreva, dando continuidade a uma linhagem familiar que hoje se espalha por várias gerações.

Sebastiana foi avó de José Luís Francisco Candreva, Rudimar Cassiano Candreva, Sandro Elias Candreva e Mônica Delgado Francisco Candreva de Camargo.
Foi também bisavó de Allan Delgado Francisco de Camargo, Rafaella Delgado Francisco Candreva de Camargo, Sabrina Candreva, Sarita Candreva, Sandy Candreva, Thamiris Candreva Robbles e Ronny Candreva.
E também tataravó de Sofia Candreva, Gael Candreva Meneghini e Ravi Candreva Robbles.
Mas a história de Sebastiana também carrega uma ferida aberta. Sua vida foi brutalmente interrompida em um assassinato cometido por Hercilio Bayardi, um crime que, olhando sob a perspectiva de hoje, pode ser compreendido como aquilo que tantas mulheres ainda enfrentam: a violência que nasce do machismo e do controle sobre a vida feminina. Um caso que ecoa, décadas depois, como um exemplo doloroso do que hoje reconhecemos como feminicídio.
Durante muitos anos, histórias como a de Sebastiana foram abafadas pelo silêncio, pela vergonha imposta às vítimas e pelo peso das convenções sociais. No entanto, lembrar seu nome hoje é um gesto de resgate histórico e de justiça simbólica.

Sebastiana Delgado não deve ser lembrada apenas pela violência que sofreu, mas principalmente pela mulher que foi: forte, inteligente, livre e profundamente humana. Uma mulher cuja vida, mesmo atravessada por injustiças, deixou raízes profundas em sua família e na memória daqueles que se recusam a permitir que sua história seja esquecida.
Cinco décadas após sua morte, nesta semana dedicada às mulheres, lembrar Sebastiana é também reafirmar algo essencial: nenhuma história merece ser silenciada, e nenhuma mulher deve ser reduzida ao silêncio da violência que sofreu.
Sebastiana vive na memória, na história e nas gerações que vieram depois dela. E lembrar seu nome é também um ato de respeito, verdade e resistência.
— Allan Fernando Delgado Francisco de Camargo







