Festa de Maio: local de montagem do parque de diversões segue indefinido
A tradicional Festa de Maio de Itapira, realizada desde 1888 e considerada uma das mais antigas e importantes do Brasil, vive um momento de discussão que mobiliza autoridades e a população: o local de montagem do parque de diversões.
Instalado historicamente na rua Vitório Coppos, o parque sempre foi uma das principais atrações da festa — sobretudo para crianças e famílias. No entanto, a inauguração do Centro de Hemodiálise e a entrada em operação de boa parte do Complexo da Saúde na região alterou significativamente o fluxo de veículos e pedestres, tornando o local ainda mais movimentado e sensível do ponto de vista logístico.
Desde o ano passado, circula a informação de que o gramado em frente a estes prédios públicos poderá deixar de ser utilizado para a montagem do parque e de parte das barracas, o que tem gerado preocupação entre moradores e comerciantes.
Em 2025, inclusive, o parque já operou com menos brinquedos, reflexo direto da redução da área disponível. Até mesmo o tobogã, que é um dos ‘queridinhos’ do público, não veio.
Em entrevista, o secretário de Cultura, Ramon Sartorelli, reconheceu a complexidade da situação e afirmou que o tema está sendo tratado com cautela e diálogo. Segundo ele, a mudança no perfil da rua, após a instalação das unidades de saúde, exige responsabilidade. Ao mesmo tempo, reforçou que a tradição precisa ser preservada.
“O que não pode é acabar com a tradição. A gente precisa estudar todas as possibilidades e buscar a melhor solução”, afirmou.
Ramon destacou que a decisão não envolve apenas a Secretaria de Cultura, mas também as áreas de Saúde, Segurança, Trânsito e até a Igreja de São Benedito.
O assunto também vem sendo tratado pelo prefeito Toninho Bellini.

Entre as alternativas ventiladas está a oferta de um espaço reduzido para o parque — hipótese que já provocou reação negativa da população. Para muitos, diminuir o parque significa enfraquecer um dos símbolos mais aguardados da festa.
Outra possibilidade em estudo seria uma parceria com a direção da Escola Elvira Santos de Oliveira (ESO), utilizando o campo de futebol para a montagem do parque e de algumas barracas.
O local é considerado tecnicamente adequado: plano, amplo e com possibilidade de acesso tanto pela parte inferior quanto pela rua Washington Luís. Poderia ser aberto um novo portão no muro onde tradicionalmente o parque é montado após formalizar entendimento com a Secretaria Estadual de Educação, por meio da Diretoria Regional de Ensino de Mogi Mirim.
“Já propus essa mudança”
No momento em que nossa reportagem estava pela rua Vitório Coppos colhendo imagens e informações para esta matéria, chegou o ex-vereador Zé Branco.
Ao saber do tema em questão, o sempre atento político disparou, sem titubear: “faz muito tempo que propus na Câmara dos Vereadores que o parque de diversões fosse montado no campo do ESO. É bom para todo mundo, para quem vem se divertir, para o pessoal do parque e para o trânsito na região. Briguei muito por isso, agora é uma necessidade urgente”, disparou.

Tradição que atravessa gerações
Ao longo de décadas, o parque de diversões tornou-se parte essencial da experiência da Festa de Maio. Para milhares de crianças — e adultos que cresceram frequentando o evento —, a roda-gigante iluminada, os carrinhos e as barracas de jogos são memórias afetivas que atravessam gerações.
Ramon deixou claro que a intenção não é suprimir o parque, mas encontrar uma solução viável que garanta segurança e mantenha a grandiosidade da festa. “A tradição precisa continuar, mas com organização e responsabilidade”, resumiu.
A discussão deve avançar nos próximos meses, com estudos técnicos e diálogo entre os setores envolvidos. O consenso na cidade, porém, parece unânime: reduzir o parque ou descaracterizar a festa não é uma opção aceitável para a maioria da população.
A Festa de Maio é mais que um evento no calendário — é patrimônio cultural e emocional da cidade. E qualquer decisão sobre seu futuro precisará respeitar esse legado.






