Gazeta Itapirense

Em 5 anos, frota de veículos de colecionadores avança 74% em Itapira

A cena é comum aos fins de semana: veículos antigos, impecavelmente conservados, circulando pelas ruas e chamando a atenção pela tradicional placa preta. O que para muitos é apenas um hobby, tem se consolidado como uma cultura em expansão no Estado de São Paulo.

Dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo mostram que a frota de veículos de colecionador cresceu 77% nos últimos anos, saltando de 42.979 unidades em 2020 para 76.087 em fevereiro de 2026.

O reconhecimento da placa preta é concedido a automóveis com valor histórico comprovado e alto grau de originalidade. No Estado, o exemplar mais antigo registrado pertence à capital paulista: um modelo da fabricante francesa De Dion-Bouton, de 1902. Os outros três veículos mais antigos também estão na capital, todos fabricados em 1906, sendo dois franceses, das marcas Renault e Peugeot, e um norte-americano Cadillac. Ao todo, São Paulo possui cerca de 2,8 milhões de veículos fabricados até 1950 com valor histórico reconhecido.

Em Itapira, o crescimento também é significativo. Segundo o Detran-SP, a cidade registrou aumento de 74% na frota de veículos de colecionadores entre 2020 e 2025. Atualmente, são 75 veículos com reconhecimento histórico no município. Os modelos mais antigos registrados na cidade são dois Fords importados, fabricados em 1929 e 1931. Em seguida aparece um Plymouth De Luxe, de 1949.

Para o advogado itapirense Daniel Ranzatto, apaixonado por carros e motos antigas, o avanço do antigomobilismo tem diferentes explicações. Ele aponta o saudosismo como um dos principais fatores. Segundo ele, muitas pessoas cresceram admirando esses veículos, mas não tinham condições de possuí-los na época. “O crescimento dessa paixão vem pelo saudosismo dos tempos antigos, quando as pessoas viam esses veículos, mas não tinham a possibilidade de tê-los”, afirma.

O advogado Daniel Ranzatto é um apaixonado por veículos antigos (Foto: Gazeta Itapirense)

Ranzatto também destaca o aspecto econômico. De acordo com ele, ao contrário dos veículos novos ou seminovos, que sofrem desvalorização imediata, os modelos antigos tendem a manter ou até ampliar seu valor de mercado ao longo do tempo. “Carros e motos antigas têm mantido uma valorização constante. Também é uma reserva financeira”, observa. Ele acrescenta ainda que programas estrangeiros de customização e restauração ajudaram a popularizar esse universo no Brasil, ampliando o interesse de novos colecionadores.

Além do valor histórico e cultural, a placa preta agrega valor financeiro ao veículo. Para auxiliar proprietários interessados, o Detran-SP lançou uma página exclusiva com orientações sobre o processo de reconhecimento como veículo de coleção. O portal também oferece serviços como a regularização de automóveis que ainda possuam a antiga placa amarela de duas letras e a emissão gratuita da Certidão de Veículo com Placa Amarela, documento que comprova registro, propriedade e histórico do bem.

A troca da placa amarela pelo padrão atual, modelo Mercosul, é obrigatória para quem deseja circular com o veículo. Caso seja flagrado em circulação sem a devida regularização, o automóvel pode ser recolhido ao pátio, já que não consta na base atual do Detran-SP. Proprietários que herdaram veículos antigos e desejam colocá-los novamente em circulação devem providenciar a atualização cadastral.

O crescimento da frota de colecionadores, tanto no Estado quanto em Itapira, reforça que o antigomobilismo vai além de um passatempo. Trata-se de um movimento que preserva a história sobre rodas, movimenta o mercado e mantém viva a memória automotiva de diferentes épocas.