Artigo: Os bancos do Grupo Escolar, por Humberto Butti (in memoriam)
A partir desta semana passamos a publicar alguns artigos que o saudoso jornalista e escritor Humberto Butti publicou na versão impressa da Gazeta. É uma forma de trazer uma leitura de qualidade aos nossos leitores e, ao mesmo tempo, homenagear este grande itapirense que nos deixou de forma tão repentina e precoce há quase dois anos. Boa Leitura!!
Sou de um tempo em que escola particular era a forma encontrada pelos pais para dar continuidade ao estudo dos filhos que não se saíam bem na escola pública. Um tempo em que o ensino gratuito superava em muito aquilo era oferecido onde se pagava para estudar.
Lembro bem de meus anos nos bancos escolares. Um tempo importante e que foi a base do pouco que sei.
Antes de completar sete anos, quando eu ainda era um menino magricela de orelhas grandes, rumei todo imponente em meu uniforme para o Grupo Escolar Dr. Júlio Mesquita. Apesar de não saber o que iria encontrar pela frente, tinha certeza de que iria gostar.
Aprendi a escrever e a ler pelas mãos e a sabedoria de dona Ismaelina Proença Pinto. Uma senhora que era tudo que um aluno de primeiro poderia querer, tamanha bondade e paciência.
Nos anos seguintes, já craque nas contas e na leitura, o aprimoramento veio com as professoras Genny Piva Zázera, Gilmery Vasconcellos Pereira Ulbricht e Ivone Pegorari Vieira, que também foram importantes para minha formação escolar.
Lembro como se fosse hoje daqueles tempos que ficaram lá atrás. Um tempo em que o aluno tinha que estudar de fato para tirar nota se quisesse passar de ano e não ser rotulado de repetente.
E como dava orgulho poder colocar uma listra azul a mais no bolso da camisa. Poder responder que havia passado de ano e cumprido com o dever de bom aluno.
Ainda hoje, quando passo defronte ao prédio secular da escola ou entro para exercer o direito do voto posso sentir o clima daqueles quatro anos que marcaram minha infância. E como tenho saudade daquele tempo.
Parece que ouço o burburinho do recreio ou a voz grave das professoras se empenhando em passar aos alunos a lição do dia. É como se estivesse ali, sentando na carteira, com minha camisa extremamente branca e meu short azul marinho.
Meu pensamento voa e me transporta para a fila formada no galpão do recreio para a entrada para as classes. Ainda posso ouvir o hino nacional ou da Independência ou mesmo o hino à Bandeira, que eram entoados antes da entrada.
E tudo era feito dentro do mais profundo respeito, tanto ao símbolo nacional como à professora que nos conduzia. Não havia algazarra ou bagunça.
Se pudesse voltar no tempo certamente não perderia a oportunidade de voltar àquela escola e ler minha cartilha Caminho Suave. Subiria correndo o escadão da ladeira São João para chegar logo ao grupo escolar.
Iria ouvir atentamente os ensinamentos de minhas professoras para angariar um pouco mais de saber. Recitaria novamente a poesia sobre o descobrimento do Brasil e me sentaria nos bancos do recreio para saborear o lanche preparado por minha mãe para o intervalo.







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