Totonho fala sobre ida pra o PSD e possível reaproximação com Bellini
A decisão do deputado estadual Barros Munhoz de deixar o PSDB após anos de militância e se filiar ao PSD marca um dos movimentos políticos mais significativos do cenário paulista neste início de 2026. Para explicar os motivos da saída, o parlamentar convocou a imprensa itapirense na tarde desta sexta-feira, 06, em uma entrevista longa e detalhada, na qual falou sobre sua trajetória no tucanato, fez duras críticas à condução atual do partido e destacou a amizade histórica com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
Barros Munhoz iniciou a conversa relembrando a importância do PSDB na política brasileira e sua própria história dentro da legenda. “O PSDB foi um partido extraordinário, que marcou época na história do Brasil, especialmente com a eleição do Fernando Henrique Cardoso. Chegou a reunir os melhores nomes da política brasileira e rivalizou por muitos anos com o PT”, afirmou. Segundo ele, sua permanência no partido sempre foi motivo de orgulho. “Fui quatro vezes deputado estadual pelo PSDB e tive uma convivência extraordinária. Aprendi muito convivendo com Serra, Mário Covas, Aloísio Nunes Ferreira, Geraldo Alckmin, entre outras grandes lideranças.”
O deputado deixou claro que não havia, inicialmente, qualquer intenção de deixar a sigla. “Eu pretendia continuar no PSDB. Não tinha razão nenhuma para sair”, disse. No entanto, segundo ele, mudanças internas e disputas de poder tornaram sua permanência inviável. Munhoz atribuiu a crise do partido à condução nacional após os episódios envolvendo o ex-governador Aécio Neves. “O PSDB passou a ser dirigido por pessoas mais tomadas pela raiva e pela vingança do que pela política”, afirmou, dizendo lamentar profundamente o rumo tomado pela legenda.
Durante a entrevista, Munhoz fez críticas diretas à intervenção de lideranças nacionais no PSDB paulista e relembrou episódios que, segundo ele, fragilizaram o partido no estado. “O Aécio nunca perdoou São Paulo. Houve uma intervenção clara, alianças internas e uma tentativa de controle que acabou afastando lideranças e inviabilizando o partido em várias cidades”, declarou. Para o deputado, o resultado foi uma perda expressiva de força política e eleitoral.
Com a saída se tornando evidente, Munhoz afirmou que passou a ser procurado por diversas legendas. “Fui procurado por praticamente todos os partidos. Republicanos, PP, outros. Mas chega um momento em que você precisa fazer uma escolha”, explicou. Segundo ele, a decisão foi amadurecida em conjunto com outros deputados estaduais. “Tudo o que conquistei na Assembleia foi em equipe. Sempre tive excelentes companheiros e sempre fui companheiro deles.”

A escolha pelo PSD, de acordo com Munhoz, não foi apenas estratégica, mas também pessoal. Ele destacou a relação de amizade com Gilberto Kassab, que remonta a mais de quatro décadas. “Minha amizade com o Kassab vem de 1984, quando eu encerrava meu primeiro mandato como prefeito de Itapira e me preparava para disputar minha primeira eleição para deputado estadual, em 1986”, contou. Segundo ele, Kassab sempre esteve presente em momentos decisivos de sua trajetória política. “Nossa amizade nunca foi afetada por disputas partidárias.”
Munhoz elogiou a forma como o PSD vem sendo estruturado nacionalmente. “O Kassab está construindo realmente um partido. Um dos poucos partidos verdadeiramente organizados que o Brasil tem hoje”, afirmou, destacando o número de prefeitos, a capilaridade da legenda e o foco em segmentos específicos da sociedade. “Isso é fazer política. Política é diálogo, organização e construção.”
Saudosista como sempre, Totonho fez questão de mostrar várias fotos com passagens que teve com Kassab em momentos especiais da política local, estadual e até nacional.

Questionado sobre a relação com o prefeito de Itapira, Toninho Bellini, agora que ambos passam a integrar o mesmo partido, Munhoz adotou um tom conciliador. Reconheceu a rivalidade histórica, mas afirmou que o momento pede superação. “Nós vamos fazer parte do mesmo partido, ele no âmbito municipal e eu no estadual. Acho que é inevitável que haja um entendimento. Isso se estendeu demais e não havia necessidade”, disse.

O deputado também comentou a recente polêmica envolvendo declarações do prefeito sobre um suposto diálogo entre ambos no Palácio dos Bandeirantes, versão posteriormente desmentida por sua assessoria. Munhoz afirmou que não houve conversa formal. “O que eu me lembro de ter falado foi apenas ‘vou te procurar’. Não falei nada além disso”, esclareceu. Ainda assim, reforçou sua disposição para o diálogo. “Estou plenamente disposto a superar esse desentendimento pelo bem de Itapira e de sua gente. Sempre estive.”
Ao final da entrevista, Barros Munhoz fez uma reflexão mais ampla sobre o cenário político nacional, criticando a polarização extrema. “O maior problema do Brasil hoje é a polarização. Isso está destruindo o país”, afirmou, defendendo uma política baseada no respeito e na convivência entre adversários. “Sou adversário do PT e do PSOL, mas convivo com eles fraternalmente. A política que eu faço é essa.”

A entrevista marca não apenas uma mudança partidária, mas um novo capítulo na trajetória de um dos políticos mais experientes de Itapira e da Assembleia Legislativa, com impactos que devem se refletir tanto no cenário estadual quanto na política local nos próximos meses.





