Gazeta Itapirense

Crônica: Invasão, por Rodrigo Alves de Carvalho

A moda agora é falar de invasão. Tanto o que já foi invadido, quanto o que está sendo cogitado ser invadido.
Tem gente comemorando a invasão, até porque, invasão no quintal do vizinho é refresco.
Existem vários tipos de invasões, entretanto, na maioria das vezes, tem a ver com roubo, conquista e/ou benefício próprio.
Então vejamos: quem invade uma plantação de milho, é porque tem a intensão de roubar milho verde para fazer pamonha; quem invade uma conta bancária, é porque tem a intensão de desviar dinheiro alheio. Quem invade um país, é porque tem interesse territorial ou em seus recursos naturais e/ou econômicos.
Uma invasão raramente tem o intuito benéfico em algum aspecto, pois ninguém gosta de se sentir invadido, seja na sua plantação, na sua conta bancária ou em seu país.
E quem invade, também não invade para ajudar “nas melhores intensões”, pelo simples fato de precisar invadir. Pois se existe a intensão de ajudar, não precisa invadir. Se quer milho para fazer pamonha, peça ao dono do milharal; se precisa de dinheiro, tente um empréstimo, uma doação; e se tem interesse em recursos naturais em algum país, negocie, chegue em algum acordo mutuo.
É claro que estou sendo muito ingênuo. Invadir é mais fácil! Até porque, quem invade sem o consentimento do outro, fica pensando que é fodão!
A invasão também acontece de maneira pessoal, numa abordagem mais direta, como a invasão de privacidade. Muito comum acontecer com pessoas “famosas”, que tem sua vida privada exposta (sem consentimento) em programas televisivos e sites de fofocas.
Agora, não podemos considerar invasão de privacidade, quando uma pessoa “quer ser invadida”. Isso acontece nas redes sociais com postagens de todas as ações do dia a dia, para onde se viaja, com quem sai, o que se come no almoço, no jantar… nada contra, mas se está divulgando sua vida nas redes sociais, é preciso ter consciência que muitas pessoas irão invadir sua privacidade, seja com seu consentimento ou não.
Porém, não é só de malefícios que podemos considerar toda e qualquer invasão, existe a boa invasão. É mais raro acontecer, mas tem a ver com amor:
“Quando os olhares se cruzam, e o amor invade o coração de duas almas gêmeas…”
RODRIGO ALVES DE CARVALHO nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta, possui diversos prêmios em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas promovidas por editoras e órgãos literários.  Atualmente colabora com suas crônicas em conceituados jornais brasileiros e Blogs dedicados à literatura.
Em 2018, lançou seu primeiro livro intitulado “Contos Colhidos”, pela editora Clube de Autores. Trata-se de uma coletânea com contos e crônicas ficcionais, repleto de realismo fantástico e humor. Também pela editora Clube de Autores, em 2024, publicou o segundo livro: “Jacutinga em versos e lembranças” – coletânea de poemas que remetem à infância e juventude em Jacutinga, sua cidade natal, localizada no sul de Minas Gerais. Em 2025, publicou o terceiro livro “A saga de Picolândia” – série de relatos sociopolíticos acontecidos em Picolândia – uma pequena cidade do interior, cuja sua principal fonte de renda é a produção de sorvetes. Com um tom humorístico e irônico, com uma pitada de realismo fantástico, a obra reúne diversas crônicas engraçadas narradas por um morador desta cidade.