Navio inclinou: casal itapirense enfrenta ventos de mais de 100 km/hora e medo em alto mar
O que deveria ser uma celebração marcada por música e festa acabou se transformando em momentos de medo e tensão para milhares de passageiros, entre eles o casal itapirense Claudia e Daniel Ranzatto, que celebravam a virada do ano em alto-mar. A força repentina da natureza interrompeu a programação do Réveillon e expôs passageiros a uma situação de apreensão durante a madrugada.
O episódio ocorreu na madrugada desta sexta-feira, 02, a bordo do navio MSC Preziosa, durante o cruzeiro ‘Réveillon em Alto-Mar’. A embarcação foi atingida por uma forte ventania enquanto o DJ Alok se apresentava.
Há informações de que as rajadas de vento ultrapassaram os 100 quilômetros por hora, o que levou à interrupção imediata da apresentação. Cerca de cinco mil pessoas estavam a bordo no momento da tempestade.
O casal de Itapira estava no 15º andar e acompanhava o show que era realizado em uma área do 14º andar. Ranzatto relatou que o espetáculo transcorria normalmente até que o clima mudou de forma repentina. “Era o show do Réveillon, o show do Alok. Começou no dia 1º e estava indo bem”, contou.

Segundo ele, após cerca de uma hora e meia de apresentação, os primeiros sinais do vendaval começaram a ser sentidos. “Nós estávamos no 15º andar, na área externa, atrás do camarote. De repente, começamos a receber um vento nas costas, e esse vento foi aumentando cada vez mais”, relatou.
A situação, de acordo com o advogado, rapidamente saiu do controle. “Chegou um momento em que o vento começou a arrastar as pessoas. Mesas saíram do lugar, tivemos que segurá-las para não voarem. Vi pessoas caírem e começou aquela correria”, disse. Ele afirmou ainda que equipes de emergência passaram a atuar no local. “Os bombeiros começaram a chegar enquanto todo mundo tentava se proteger.”
Ranzatto contou que, em meio ao caos, buscou abrigo em uma área mais protegida do navio. “Eu e a Cláudia conseguimos ir com muita dificuldade até um minibar. Nisso, uma moça veio desesperada, o vento a jogou contra mim e ela se agarrou ao meu braço, gritando por ajuda. Fiz uma força enorme para conseguir ajudá-la”, relatou.
De acordo com o advogado, durante o vendaval o navio realizou uma manobra brusca, perceptível para quem estava nas áreas externas. “O navio fez uma manobra muito forte e chegou a inclinar. A informação que circulou lá dentro é que o comandante precisou virar o navio para colocar a favor do vento”, explicou.
No palco, o DJ Alok também foi afetado pela mudança climática. “O Alok estava no show, o equipamento dele se deslocou, molhou um pouco, e aí ele parou a apresentação”, afirmou Ranzatto. O encerramento do espetáculo, segundo ele, aumentou ainda mais a sensação de insegurança. “Foi um corre-corre geral. Ficamos cerca de uma hora sem saber exatamente o que estava acontecendo.”
Após a passagem da tempestade, a situação começou a se normalizar. “Depois foi acalmando, descemos os decks e quem estava nas cabines praticamente não sentiu nada. Alguns relataram apenas que a bagagem balançou um pouco”, contou. Ele disse ainda ter presenciado atendimentos a passageiros. “Vi duas pessoas caírem e uma delas ficou sentada sendo atendida.”
Segundo Ranzatto, a intensidade do vendaval variou conforme a posição no navio. “Quem estava mais abaixo ou do outro lado sentiu o vento, mas não na intensidade que nós sentimos, porque estávamos na lateral do navio”, explicou.
Apesar do susto e da tensão vividos durante a madrugada, não houve registro de feridos graves. Após o controle da situação pela tripulação, os passageiros puderam retornar gradualmente às áreas liberadas da embarcação, e o cruzeiro seguiu viagem.



